quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Audax - de um outro ponto de vista



Domingo passado tivemos o último Brevet Audax Randonée do ano. Organizado pela Sociedade Audax de Ciclismo (mais conhecida como "Audax da Ninki"), o brevet de 200 km teve largada/chegada no DC Navegantes, bem como fazia o pioneiro Lucca. Só faltou Carmina Burana.


Há algum tempo me chama a atenção a importância crucial do voluntariado na modalidade Audax & Randonée. Acostumei-me a agradecer a eles(as), verbalmente, e por escrito, nos relatos. Sem todas aquelas pessoas de boa-vontade, os brevets ainda seriam possíveis; não sei, porém, se seriam viáveis, e parece-me certo que seriam menos agradáveis.


Os voluntários passam muitas horas na estrada e nos PCs, executando todas as tarefas imprescindíveis, e mais algumas outras. Nos brevets mais longos, passam a noite em claro. Às vezes agüentam reclamações (justas, exageradas, ou simplesmente absurdas) de ciclistas (e até de familiares). Muitos deles são tbém ciclistas e randoneiros; ou seja, para trabalhar na prova, privam-se da oportunidade de pedalar. Às vezes isso é compensado, com uma edição extra do brevet (antes ou depois da oficial) somente para os voluntários. Sem carro de apoio, ambulância, comida de graça, etc.


Além de dar conta de tudo isso, voluntário que se preza ainda consegue esbanjar simpatia e contribuir para levantar o astral dos randoneiros mais exauridos. Não sei o que vocês acham, mas, nesse quesito, meu voto de Voluntário do Ano vai para o Miguel Lawisch, de Santa Cruz do Sul. Esse cara não existe. Já o voto de Voluntariado mais Preparado e Equipado vai para o Audax do Vale (Lajeado), sem dúvida. Lá é assim: você chega no PC e pergunta alguma coisa sobre o itinerário. O voluntário puxa, tranqüilamente (como se fosse a coisa mais normal do mundo), uma folha impressa em A3 (!) com a foto de satélite detalhada daquele trecho, e ainda explica o caminho de um jeito que dá vergonha de errar.


Então resolvi que estava na hora de dar tbém alguma contribuição neste sentido. A vontade de pedalar era grande, mas decidi apresentar-me como voluntário neste último brevet de 2009.


Tocou-me a tarefa de (junto com a Luciane, irmã da Ninki) cuidar do PC de chegada, nas primeiras horas (quando começam a chegar os mais rápidos). Tarefas imprescindíveis: recolher os passaportes, anotar os tempos, localizar o nome de cada ciclista numa lista e fazê-lo assinar a mesma. Tarefa extra solicitada: fotografar a chegada e a cerimônia de premiação. Tarefas extras inventadas ou requeridas na hora: ajeitar o lugar, disponibilizar cadeiras e água, cumprimentar os audaciosos, tirar mais fotos, realizar pequenos reparos em bicicletas de transeuntes. Quando a gente conseguia se coordenar, punha tbém uma trilha musical heróica (tema do filme 1492, do Vangelis) para sublinhar o momento da chegada de cada ciclista. Mas isso só começou a dar certo mais tarde, quando chegaram mais voluntários (que se haviam desencumbido da estrada) e a sobrar mãos.


Muitos randoneiros ficaram surpresos em me ver ali, sorridente, com uma câmera pendurada no pescoço, e sem a mínima cara de quem pedalou 200 km. Aos que me perguntaram por que não pedalei, expliquei, sucintamente, minhas razões. Pareceu-me, no entanto, que muitos não entenderam bem; talvez devido ao cansaço. Ou talvez minha impressão não corresponda à realidade. Mesmo assim, me parece razoável supor que a maioria ainda não parou para pensar na importância do voluntariado no mundinho do Audax & Randonée.


Aquela tarefa extra semi-obrigatória - registrar o momento em fotografia - terminou recém hoje, terça-feira. Das 130 imagens capturadas, selecionei 39 para edição. Essa parte tomou várias horas. Clicadas rapidamente, sem equipamento nem habilidade profissionais, a maioria das imagens ficou com defeitos de enquadramento, fotometria, e outros. Fiz o melhor que pude. Meu objetivo não é apenas registrar, mas registrar de maneira bonita. No entanto, deixei passar muita coisa que não gostei, para não privar as pessoas de ter uma lembrança da façanha.


As 39 selecionadas estão aqui. As outras entregarei para a Ninki.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Onde foi que eu errei? Por um randonê menos randômico



Onde foi que eu errei? Com esta pergunta iniciava este relato do sofrido Brevet Audax Randonnée 400 km. Na postagem de hoje, dedico-me a desenvolver o assunto, compartilhar algumas respostas, e propor soluções. Estou certo que alguns dos erros cometidos são bastante comuns, então não é impossível que outras pessoas encontrem alguma utilidade neste texto. Por outro lado, o espaço de comentários está, como sempre, aberto a opiniões, complementações, correções.

Primeiro, algumas considerações sobre a natureza da modalidade Audax/Randonnée, tal como a vejo.

Muito já se falou sobre a característica não-competitiva, que a meu ver é o toque de gênio na modalidade. Esta característica traz consigo dois grandes benefícios: ciclistas de todos os níveis e de qualquer idade conseguem permanecer motivados; a atmosfera da modalidade é de muito companheirismo, que não raro leva a grandes amizades.

Um outro aspecto - que me parece essencial - é o desafio. Quando nos inscrevemos para um brevet, muitas vezes não temos lá muita certeza de que vamos conseguir completar a prova. Por exemplo, ao estrear na modalidade. Ou ao tentar fazer um brevet mais longo (ou mais íngreme) pela 1ª vez. Ou quando um certo brevet acontece pela 1ª vez, como foi o caso do Brevet Farrapos 1000 km. Poucos já tinham pedalado essa distância antes; portanto, é razoável supor que a maioria não tinha certeza de que iria conseguir vencer este enorme desafio. De fato: mesmo alguns randoneiros bastante experientes não conseguiram.

De minha parte, confesso que uma ponta de incerteza/insegurança dá um tempero todo especial, sem o qual não sei se eu teria motivação para pedalar os brevets.

Mas aquele brevet de 400 km me fez repensar essa atitude. Pela primeira vez me senti realmente muito mal durante um brevet, o que me levou a:

- não conseguir manter o ritmo que estava acostumado;
- considerar seriamente a possibilidade de abandonar;
- passar várias horas parado, tentando me recuperar minimamente, e
- mal conseguir completar - bem próximo do tempo limite.

No final das contas, deu para agüentar a adversidade, e até deu para superar o desafio; mas algo me diz, "isso não precisava ter sido assim". O nível de desconforto e sofrimento ultrapassou um pouco aquilo que considero saudável e adequado.

organizadores não poupam esforços para tentar manter o ciclista na prova...


Mas, onde foi que eu errei, afinal? Bom, consegui identificar alguns aspectos:

- Troca de componentes - incluindo um banco novo (!) - de última hora, sem tempo hábil para fazer um teste (longa distância) e ajuste fino adequados. Eu havia feito uma compra na virada do ano, aproveitando uma promoção da Bent Up Cycles. Acabei só recebendo o material (diversos componentes, além do banco) meses depois, às vésperas do Brevet 400. Resolvi montar e usar assim mesmo.

O banco novo (Velokraft), levemente diferente do original (M5), precisaria ter sido bem testado. Somou-se a isso um vazamento no amortecedor (traseiro, a ar), quase imperceptível. Este vazamento produziu uma lenta e gradual modificação no ângulo do banco - a bicicleta foi ficando mais reclinada, sem que eu me desse conta. Isso, mais o banco diferente, e um trecho muito longo com predominância de subidas (que "reclinam" mais ainda) produziu algo que eu não sentia há anos (desde que me reclinei): dor. Tentei compensar aumentando o apoio dorsal (estofamento da parte superior do banco) com peças de roupa, e, uma vez constatado o problema no amortecedor, calibrei o mesmo (felizmente tinha levado a bomba específica). Mas o dano já estava feito. Pela primeira vez passei a considerar seriamente o uso de um apoio para a nuca!

- Muito stress e pouco sono na véspera. A largada era às 03:30. Teria sido mais do que recomendável ir para a cama às 22:00 no máximo, dormir ao menos 4 horas. Acontece que tive que ir de ônibus para Santa Cruz e já cheguei de noite. Precisava passar no local do briefing e depois ir para o meu hotel. Depois precisava conferir toda a mecânica da bicicleta e acertar um monte de detalhezinhos do equipamento. Isso sempre leva muito mais tempo do que a gente imagina, e é algo imprescindível. Num brevet longo, não podemos nos dar ao luxo de esquecer as pilhas de reserva ou o cobertor térmico no hotel. Resultado: dormi cerca de 2 horas, e as horas anteriores a este curto sono foram cansativas. Mau negócio.

- Pausas insuficientes e alimentação possivelmente deficiente. Decidi "pular" os P.A.s (pontos de apoio) e parar somente nos P.C.s (pontos de controle), obrigatórios. Naquele momento parecia a melhor decisão, já que me sentia bem, e às vezes pode ser um pouco difícil esquentar a musculatura depois de uma parada. Mas, provavelmente, aquelas paradinhas fizeram falta. Aos problemas de ajuste da bicicleta somaram-se a falta de repouso pré-prova, a falta de descanso durante a prova, e, "de carona" com esta última, muito possivelmente, a falta de alimentação adequada - porque, se a gente não pára, acaba não comendo direito. Maltodextrina não é a mesma coisa que comida.

- Last but not least (por último, mas nem por isso menos importante): faltou preparação física adequada. Das böse T-Wort, brincam os alemães: aquela palavra chata com T. Aquela coisa que a gente às vezes tenta substituir comprando peças mais leves, ou mesmo uma bicicleta nova...

Em bom português: faltou treino.


Não foi por preguiça. As causas da falta de preparo adequado foram duas. A primeira é circunstancial; ficou difícil arrumar tempo nas semanas entre o brevet de 300 e o de 400. Tive que estabelecer prioridades outras que o randonê. A outra é ignorância mesmo: não conhecia as dificuldades da prova, e fui pedalar "à moda miguelão". Encarar o desafio. À la loca.


Por um Randonê (um pouco) menos Randômico

Como disse antes, a experiência me deu o que pensar. Continuo achando muito legal enfrentar o desafio, pedalar uma distância nunca antes pedalada. Mas vi que os fatores desconhecidos ou aleatórios podem tirar a graça da empreitada, levar à desistência (que não é vergonhoso, mas tampouco é desejável), a um problema físico mais grave, ou mesmo a um acidente.

Por isso decidi partir para um estilo menos randômico, ou seja, menos aleatório, menos "ao acaso", menos dependente da sorte - de randonê. Suspeito que essa atitude não vai tirar nada do encanto do esporte. Em se tratando de Audax & Randonê, sempre haverá um número de surpresas e imprevistos mais do que suficientes para evitar a monotonia!


Decisões práticas

Decidi refinar os ajustes da bicicleta ao máximo que eu for capaz, e não mudar nada às vésperas de um brevet. O problema do amortecedor já foi sanado (isso merece um relato à parte). Não há muito mais o que melhorar em termos de componentes. Agora é uma questão de ajuste fino. Em se tratando de bicicleta (reclinada ou convencional, não importa), 1 ou 2 milímetros podem fazer diferença. Distância entre banco e movimento central (que corresponde à altura do selim na convencional), ângulo do banco, densidade e perfil do estofamento, ajuste do taco, são alguns dos aspectos que são importantes sempre e que passam a ser cruciais em disâncias de 3 dígitos.

Quanto à preparação física, resolvi tomar uma atitude. Não é só por causa da "randonagem". Surgiu uma motivação nova: vou mudar de endereço. Pretendo continuar usando a bicicleta como principal meio de transporte; porém, minha quilometragem diária mínima vai mais do que duplicar. Preciso me preparar para agüentar o tranco. Comecei a buscar informações abalizadas sobre treinamento. Minhas principais fontes, até o presente momento, têm sido as seguintes:

- Road Bike Rider (RBR) é um site dedicado ao ciclismo de estrada que vende livros e artigos em formato pdf, a preços extremamente razoáveis. O RBR tbém envia uma newsletter semanal, gratuitamente, a mais de 60.000 ciclistas de todo o mundo! Basta se cadastrar, o que tbém já dá direito a um livro virtual (e-book). Os artigos curtos (e-articles) são baratos, e alguns deles, muito úteis. Tem até um intitulado "The Recumbent Alternative" (A Alternativa Reclinada). Há muito material sobre treinamento, mas tbém sobre saúde, prevenção, alongamento, cicloturismo, mecânica, e até mesmo sobre usar a bicicleta como meio de transporte. Definitivamente diferente das revistas e sites de ciclismo mais conhecidos, onde normalmente se encontra muita propaganda (às vezes mal-disfarçada) e pouco conteúdo. Outra diferença é que há muito material endereçado aos ciclistas digamos... mais maduros. Que todos (os que não pararem de pedalar) seremos, um dia. Não é uma publicação para fashion victims, evidentemente, mas, mesmo assim, cada newsletter costuma incluir algumas fofoquinhas do circuito Pro Tour ;^). Altamente recomendado.

- a página da Ultra Marathon Cycling Assotiation (UMCA). Existe ali uma bela coleção de textos e artigos, contendo uma grande quantidade de informação sobre treinamento, nutrição, precauções de segurança e todos os outros aspectos importantes do ciclismo de longa distância. Alguns dos textos são resenhas críticas de livros. Embora seja uma organização dedicada ao esporte competitivo, observo que, no fundo, a mentalidade parece ser bastante próxima daquela que encontramos no ambiente do Audax/Randonnée. Os autores são ciclistas de longa e ultra-distância muito experientes. Alguns são treinadores profissionais. Quem se associa recebe o manual "Preparing for Long Rides" e mais 6 edições por ano da revista Ultra Cycling.


Tbém deixei-me convencer a tomar mais 2 medidas:

- Visitar uma cardiologista, fazer uma ergoespirometria (teste de esforço cardio-pulmonar). Em primeiro lugar, isso serve para tranqüilizar meus familiares. Alguns deles são médicos, e todos são pessoas que se consideram "normais", e para as quais pedalar 400 km em um dia é um tipo de insanidade. Imaginem quando eu resolver pedalar 600 ou 1000 km. Corro o risco de ser internado e interditado. Obtendo o "sinal verde" oficial da cardiologista, reduzi esse risco ;^). Falando sério: cheguei aos 40, pratico atividade física/esportiva em algum nível há muitos anos, e nunca tinha feito uma avaliação médica. Estava na hora.

O teste, por sua vez, fornece parâmetros para futuros programas de treinamento, como a freqüência cardíaca máxima real (e não aquela aproximada, que se obtém através de fórmulas), entre outros.

- Comprar um monitor cardíaco e aprender a usá-lo. Aqui foi importante a influência do Guilherme Holdefer, companheiro de brevet. Em minha ignorância, até pouco tempo pensava que esse equipamento só seria útil para atletas (competitivos) de elite, ou mesmo que fosse uma rematada frescura. Não é. O monitor pode ser bastante útil mesmo para atletas "modestos". Ele fornece uma avaliação (quase) instantânea e objetiva (quantitativa) do desempenho em relação à capacidade física real do usuário. Tbém permite analisar os treinos a posteriori, bem como programar o exercício. Pode parecer chato, mas na verdade é divertido. Especialmente quando aparece a quantidade de calorias queimadas durante o treino.

Bueno. Este é o plano. Agora é "navegar" menos e pedalar mais!


segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Orla do Guaíba - a Consulta Popular


O texto que reproduzo abaixo trata da Consulta Popular acerca da construção residencial na Orla do Guaíba. Seu autor, o arquiteto Nestor Nadruz, é figura conhecida de todos que se interessam pela problemática e pelas discussões que envolvem meio-ambiente, urbanismo, ocupação do espaço, Plano Diretor, etc, na cidade de Porto Alegre. O texto enumera razões para 1º, ir votar, e 2º, para inequivocamente votar não à ocupação residencial da Orla.

Não sou dado a teorias conspiratórias, mas não posso deixar de concordar com o autor, quando ele especula que, aqui, não se trata "apenas" do Pontal do Estaleiro, e sim, do que queremos para a nossa cidade e para as próximas gerações.

Embora o autor venha a ser meu tio, só vim a saber do texto por intermédio de um amigo (obrigado, Alejandro!). Uma rápida pesquisa na Rede revela que o mesmo já se encontra reproduzido em diversas páginas e blogs.

Senti-me compelido a pedalar pela orla e a tentar obter imagens para ilustrar esta postagem. Neste primeiro domingo quente depois de um rigoroso inverno, encontrei milhares de portoalegrenses às margens/nas proximidades do Guaíba. Que alguns querem que seja lago, e não rio (a não ser de $). Pergunto-me se tais pessoas algum dia protagonizaram cenas como estas, ou as presenciaram. Nelas transparece, por um lado, a vocação contemplativa do cidadão, e por outro, a pura alegria na comunhão com o espaço livre e lindo da orla. Clique sobre as fotos para ver melhor.






Nestor Ibrahim Nadruz, arquiteto e Urbanista, membro da AGAPAN, 2º Coordenador do Forum das Entidades da Câmara, escreve apontando as razões para votar NÃO na consulta que será realizada em Porto Alegre, dia 23 de agosto, acerca da construção de prédios na Orla do Guaíba:

“A polêmica sobre edificações pretendidas na Orla do Guaíba, onde se destaca o “Pontal do Estaleiro”, na Ponta do Melo, tem as seguintes razões oriundas de pessoas de nossa sociedade, o que nos leva as seguintes considerações:

1 - A negativa de ocupação da Orla do Guaiba por edificações, manifestada por muita gente terá que ser legitimada com a presença das pessoas aos locais de votação e assim quebrar a intenção dos especuladores imobiliários, de sua avidez pelo lucro;

2 - Comenta-se que, como os investidores desistiram dos blocos residenciais, o expediente processual em andamento no municipio, devia ser arquivado, pois a desistência pública foi formalizada pelos interessados;

3 - Como a Prefeitura insiste em manter sobrevida num assunto liquidado, em termos de mudança de rumo, ela está revelando teimosia inexplicável, e sem justificativa anunciada;

4 - Ouve-se também que, como as razões legais foram amplamente divulgadas por ambientalistas, urbanistas e técnicos da qualidade do prof. Rualdo Menegat (em uma entrevista feita ao Jornal do Comércio), em momento algum houve esclarecimento pelo Poder Público da citação destes documentos legais pertinentes;

5 - A Consulta Popular traz à Comunidade a seguinte pergunta: “Além da atividade comercial - já autorizada - também devem ser permitidas edificações residenciais, na área da Orla do Guaiba, onde se localiza o antigo Estaleiro Só?”

Observe-se um dado aqui: ao suprimir o sinal de interrogação desta pergunta, ela vira proposta afirmativa. Coincidência? Também, no bojo da pergunta, insinua-se que a atividade comercial está autorizada. Que falácia! Sabe-se por acaso qual o tipo de construção comercial está autorizada e qual sua altura final? O sr. vice prefeito disse, por sua vez, nos jornais que a altura dos prédios comerciais será a mesma, (por acaso são os 13 ou 14 andares, vistos em propaganda de marketing, para um projeto que ainda não existe e não se sabe como será sua elaboração?). Deve ser consultada a Lei Orgânica primeiro.

Outrossim, poderiamos ter uma pergunta mais expressiva e curta como: Qual sua posição quanto a edificações residenciais na Orla? É O QUE SE QUER SABER.

Além disso a pergunta poderá induzir de maneira subliminar a que toda a Orla do Guaíba possa receber edificações. Os menos avisados poderão entender assim. Isto porque nossa lingua portuguesa é muito rica, pois um assunto pontual pode conduzir a conceitos genéricos, “democraticamente”.

Em nosso entender, como a Sociedade está jogada para ser confundida, temos que alertá-la de cuidar de seus interesses de cidadania e votar, no dia 23 de agosto consciente de dizer NÃO, e salvar sua paisagem gratuita para todos que sonhamos ter ali um PARQUE. A Prefeitura que pare de ser usurária e dar benesses aos poderosos e exigir deles obrigações difíceis de cumprir, quando não esquecidas."






Locais de votação - encontre-os aqui - ou ligue gratuitamente para 156.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ultra-randoneiro, ultra-reclineiro, ultra-durão


Tenho vários tópicos esperando finalização & publicação - mas este acabou furando a fila. Além de ser notícia fresca, cai bem nesses tempos randoneiros, quando ciclopatas (sic) neofarrapos acabaram de enfrentar muito frio no 1º brevet de 4 dígitos da história brasileira. E tbém houve uma discussão sobre reclinadas no grupo Bike RS, na qual a bicicleta abaixo foi citada.


O vivente retratado acima se chama Pete Heal e acaba de fazer a travessia oeste-leste do continente australiano, na companhia desta obra de arte sobre rodas que é a VK II da Velokraft.

Não era brevet nem corrida. Nem por isso deixou de estabelecer um novo recorde para o percurso: 4014 km em 11 dias e 18 horas.

O que mais me impressiona na façanha é que ela foi realizada em pleno estilo randonê, ou seja, sem apoio externo. Sem carro-madrinha. Sem massagem. Sem mecânico. Dependendo de hotéis de beira-de-estrada. Carregando comida e água.

Bueno, considerando este último aspecto, a bicicleta escolhida é realmente perfeita para a missão, graças à sua excepcional combinação de eficiência, conforto, aerodinâmica, e capacidade de carga (imprescindível, neste caso)! Um detalhe importante é que o compartimento de carga é tbém uma rabeta aerodinâmica (tbém chamada carenagem traseira). É muito improvável que esta marca possa vir a ser igualada em bicicleta convencional, ou mesmo em reclinada, a não ser uma que seja tão eficiente quanto a VK II.


Mais alguns números e curiosidades interessantes:


- média de distância percorrida por dia: aprox. 330 km (imaginem fazer um brevet de 300 por dia, durante 12 dias)

- distância diária mínima 281 km, máxima 408 km

- velocidade média real (non-stop) aprox. 14 km/h

- Pete escolheu fazer a travessia no inverno, por razões estratégicas: pegar menos vento contra, carregar menos água, e, obviamente, passar menos calor. Mas chegou a pegar -4° C atravessando os desertos australianos, de madrugada.

- Pete não se privou do sono; dormiu 6 horas por noite, "quase todas as noites", segundo seu relato neste tópico do fórum BROL

- Como "aquecimento", o guasca pedalou um Brevet Audax 100 km na véspera da partida

- Falando nisso, este veterano randoneiro pedalou o Paris-Brest-Paris em 2007, ano em que vários brasileiros tentaram, e poucos conseguiram completar, dentre eles o Luiz "Gigio" Faccin, cujo relato pode ser lido aqui

- Álbum com algumas fotos da travessia australiana aqui.

sábado, 1 de agosto de 2009

Descobrindo a reclinada - depois de 250.000 milhas pedaladas



Fiquei sabendo deste vivente e sua página outro dia. Resolvi traduzir e compartilhar alguns trechos aqui. É um dos depoimentos mais detalhados e interessantes que já vi a respeito da "experiência reclinesca", por assim dizer. Uma das coisas que torna a leitura interessante é o perfil e a trajetória do autor:


Primeiro, um pouco da minha história: sou um ciclista ávido; durante 9 anos competi em estrada e velódromo; minha experiência em corridas inclui o Campeonato Mundial (Pro) de 1983, na Suíça, e o Tour de L'Avenir, no mesmo ano, na França. Pedalo há 30 anos, nunca parei, percorri 250.000 milhas
[mais de 400.000 km], e ainda amo minha bicicleta. Sou mecânico de bicicletas, tbém há 30 anos; criei o ramo de reparos a domicílio, no qual atuo há 22 anos.





Oficina móvel - por fora e por dentro







Eric - assim se chama o vivente (julgando pelo endereço de e-mail, e sobrenome não encontrei) - conhecia as reclinadas há muito tempo, mas somente de maneira superficial. Ao tomar a decisão de fazer um teste mais longo, ele oportunizou a si mesmo vivenciar um insight ciclístico muito bacana.

Primeiramente ele dá sua visão sobre a indústria reclineira (norte-americana) e como os recentes progressos o estimularam a levar as reclinadas mais a sério:


Tenho visto reclinadas há muito tempo, mas elas sempre tinham uma aparência esquisita, tipo fundo-de-quintal, e eram um pouco pesadas demais. As coisas mudaram, especialmente nos últimos 10 anos. Não apenas elas melhoraram de aparência, mas, puxa, essas bicis andam muito bem.




A seguir, transcrevo alguns trechos do relato, que está originalmente dividido em dias, depois em quilometragem. Para lê-lo na íntegra, visite a página do autor. Elo direto aqui. Diversão certa para quem gosta do assunto e lê razoavelmente bem em inglês. Se alguém quiser comentar ou melhorar estes esboços de tradução, ficarei agradecido.


Era para ser uma pedalada leve de 15 milhas [pouco mais de 24 km], mas quando cheguei em casa, tinha completado 38 milhas [aprox. 61 km]. Nossa, isso é o que eu costumo fazer com minha estradeira, atualmente; mas nunca me sinto assim, tão descansado, depois, e esta foi recém minha segunda saída com a reclinada. Acho que as possibilidades são fantásticas.



Isto é maravilhoso: depois de quatro dias estou "sentindo" aquilo que os reclineiros falam. Sinto que (...) a bicicleta me envolve e que sou parte dela. Bicicletas tradicionais de estrada
[aquilo que nós chamamos "Speed"] não dão essa sensação. Deve ser o centro de gravidade baixo e a posição.



Fico observando três falcões voando em círculos. Estou perfeitamente equilibrado na bicicleta, mesmo olhando para cima. Isso não seria possível em uma estradeira tradicional. Tenho uma vião panorâmica. Mesmo pedalando forte e ofegando, minha cabeça está ereta e é possível curtir a vista. Estou adorando isso.



A cada uma das 15 curvas fechadas, uma vez dentro da curva, dava vontade de ter entrado com mais velocidade (...) Essas bicicletas dão uma sensação muito diferente nas curvas. Centro de gravidade, posição sobre as rodas, não estou certo o que é, mas estou adorando.



(...) depois de 600 milhas
[aprox. 965 km]- e ainda não estou em plena forma no que se refere à reclinada - meu desempenho em subida está apenas 8% abaixo [do desempenho em subida com uma bicicleta tradicional]. Nas últimas saídas a força nas pernas se tornou perceptível, especialmente nos morros. Imagino poder igualar minhas marcas com a estradeira tradicional (...). Porém, a grande questão é, será que vou pedalar minha estradeira tradicional [que é uma Trek Madone !] de novo?




Em outro ponto do relato, Eric tece algumas reflexões sobre a pouca difusão do ciclismo reclinado, e advoga a necessidade de informar e educar o povo do pedal. Parece feito sob encomenda para o Pés pra Cima! , mas não é...:

Tudo que as pessoas sabem é que as reclinadas são esquisitas mas parecem confortáveis (...). Suponho que, depois de 100 anos vendo bicicletas de configuração tradicional, qualquer outra coisa pareceria esquisita. Mesmo os lojistas, meus conhecidos, reviram os olhos à simples menção da reclinada. Após três dias naquele banco confortável, penso que o grau de desinformação a respeito desse tipo de bicicleta é bem sério.


Aposto que existem milhares de pessoas que experimentaram brevemente uma reclinada, mas nunca sentiram o que eu senti hoje. Precisei de 20 milhas para me sentir bem na bicicleta, e de outras 40 para saber o que é que faz com que essas bicicletas sejam tão incríveis de pedalar. Uma voltinha na quadra não te dá nada, a não ser a sensação de estranheza. Se você nunca pedalou uma reclinada, precisará muitos quilômetros até se sentir confortável. Agora sei porque não se vê mais gente pedalando reclinado. Quantas lojas vão te deixar testar uma bicicleta por 40 milhas? Eu tenho mais de 250.000 milhas nas pernas, e levei até o dia de hoje para conhecer realmente a reclinada. Esta fica comigo.

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pós-escrito a esta postagem:

tentei entrar em contato com o Eric para obter sua autorização; até agora, sem sucesso, então esta postagem permanece, por ora, no rol das "não-autorizadas"...

p.s. 2: a bicicleta utilizada para o teste foi uma
Bacchetta Corsa (como a da foto abaixo, "roubada" do Recumbent Blog). O autor do relato tornou-se revendedor autorizado da marca.

p.s. 3: nunca é demais lembrar: a meta deste blog não é "converter" ciclistas felizes à bicicleta reclinada, mas, tão-somente, ajudar a disseminar um pouquinho de informação sobre esta preciosa alternativa ciclística; repetindo as palavras do autor do relato, "o grau de desinformação a respeito desse tipo de bicicleta é bem sério". As reclinadas estão à margem da grande indústria, não são comercializadas pelos lojistas tradicionais (que basicamente vendem apenas o que está "na moda"), e por isso passam desapercebidas de tantas pessoas que gostam e até precisam pedalar, mas que não se dão bem com o design tradicional de bicicleta. Este relato se torna particularmente interessante, na medida em que vem de alguém altamente qualificado e competente, e pela riqueza de detalhes.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

novidade no pedaço!


Ontem teve GRnOM (Grande Reclinaço Não-Oficial Mensal), graças à iniciativa do Olavo, e que conseguiu reunir 4 encarangados e intrépidos reclineiros no "Eco"-Posto para um bate-papo regado a café-com-leite, seguido de um curto passeio, pois o sol já ia alto e, em 2 dos 4 lares (não no meu, curiosamente), os pequeninos descendentes já urravam por papai & almoço.


Abaixo uma tentativa de registro em movimento de nossa passagem pela "Calçada de Alice", que é o irônico apelido dado pelos ciclistas portoalegrenses à chamada ciclovia construída pelo Barra Shopping, ligando nada a lugar nenhum e quase sempre tomada por pessoas que encontraram ali um lugar ideal para praticar suas caminhadas. A trepidação causada pelo róseo pavimento não permitiu melhor foco...





Uma novidade se impôs, ao natural, como o fato do dia, dominando nossos olhares e conversas. Deixo que as próprias imagens contem o que foi, e que a seção de comentários faça o resto...












p.s. a esta postagem: tem mais imagens desse passeio no
álbum do Olavo

sábado, 11 de julho de 2009

RAAM 2009 (7) - História, curiosidades, e alguns números




Advertência: Esta postagem ficou bem longa. Mesmo com os vídeos e imagens, que ajudam a manter o interesse, creio que só será apreciada por aqueles(as) dados(as) a longas distâncias e longas leituras - reclinados ou não... Aproveitem!




- Bicycle Dreams - o filme:

"Não é um evento esportivo no sentido clássico - é mais parecido com jogar um gladiador dentro de um fosso com um leão"

"As pessoas falam, 'é uma corrida de bicicleta'. Não. Isso aqui não dá para comparar com nada (...) Isso aqui é uma coisa de outro planeta"


Estes depoimentos fazem parte do recém-lançado documentário "Bicycle Dreams - a verdadeira história da Race Across America". Selecionado para muitos festivais de cinema e já premiado em vários deles, o filme do diretor Stephen Auerbach tem tudo para mexer fundo com o povo do pedal. Trailer abaixo. O DVD está à venda na página oficial do filme.







- No fórum BROL ('Bent Rider Online), o
tópico sobre RAAM soma mais de 800 msgens (!)


- No mesmo fórum, o
tópico sobre a desistência de Jure Robic - estrela do ciclismo de ultra-distância e tetra-campeão da prova - passou de 350 msgens. Neste tópico se discute/especula sobre a alegada falta de lisura da arbritragem da prova ao admnistrar penalidades. Visões bastante diferentes e até conflitantes do assunto foram apresentadas, sempre em alto nível - em nenhum momento a discussão descambou para uma flame war. O assunto é bem delicado e potencialmente poderia abalar a reputação do evento. Jure diz que jamais voltará a participar da RAAM. O ciclista esloveno, ídolo em seu país, embora seja atleta amador (!), é o tema de um outro documentário, intitulado The Wheel Of Life (A Roda da Vida). Trailer abaixo.






- Não obstante, a participação espetacular da equipe Rans - ainda que não tenha batido o recorde reclinado - excitou os ânimos na comunidade reclinesca. Muita gente já está torcendo que a participação cresca em 2010, que tenhamos ao menos 2 equipes competindo entre si, e quem sabe tbém algum reclineiro solo. Nomes que vêm à mente do povo são Velokraft e Bacchetta, que já têm tradição na RAAM. Bacchetta, muito especialmente, é uma empresa muito presente em competições de ultra-distância nos EUA. John Schlitter, co-proprietário, é um ciclista de grande sucesso na modalidade, assim como vários outros atletas Bacchetta, inclusive algumas damas. Isso tudo parece estar gerando o sentimento de que a marca deve estar na RAAM em 2010.

Neste tópico do fórum Bacchetta já se começa a discutir seriamente o assunto. Especula-se de tudo por enquanto: uma ou duas equipes de 4; uma equipe de 8; uma equipe feminina ou mista; vários ciclistas solo, inclusive um na categoria 60-70 anos; e por aí vai. A maior dificuldade é arcar com os custos, que são muito altos para uma empresa pequena. Colocar uma equipe na estrada, na RAAM, significa mobilizar no mínimo uma dúzia de pessoas e 3 a 4 veículos de apoio. Estima-se o custo total em 25000 dólares, aproximadamente, por cada equipe.



- Considerando o exposto acima, torna-se especialmente admirável o fato de que muitas equipes conseguem não apenas arcar com os custos, mas ainda arrecadar fundos para diversas causas humanitárias - este é um dos aspectos muito bacanas da RAAM. Em média, as equipes têm arrecadado cerca de um milhão de dólares por ano.



- Este ano acompanhamos vários casos de ciclistas acometidos pela temida "síndrome de Shermer Neck". Acontece quando o ciclista simplesmente não consegue mais sustentar a própria cabeça. Não lembro os nomes de todos os acometidos nesta edição, mas sei que ao menos um teve que abandonar a prova. Normalmente, nesses casos, tenta-se contornar o problema montando uma armação (de PVC, p.ex.) amarrada às costas do ciclista, que faça o trabalho que a musculatura já não consegue. Este ano apareceu uma solução alternativa, criada pela equipe de apoio do ciclista Paul Danhaus. Para a confecção do (bem-sucedido, diga-se de passagem) equipamento foram utilizados os materiais disponíveis no momento - incluindo um absorvente feminino. Parece que este último elemento foi fundamental para proporcionar... absorção (tanto de suor quanto de trepidação). A necessidade é a mãe da invenção.




- As bicicletas Rans XStream utilizadas pela equipe reclineira - especula, bem-humoradamente, um membro húngaro do fórum BROL - são possivelmente as mais pesadas e tbém as mais baratas de todas as bicicletas utilizadas na RAAM. Especulação que provavelmente está bem perto da realidade. O modelo Xstream de fábrica custa cerca de 2600 dólares e pesa 11,8 kg. Pesada mesmo para uma reclinada (de corrida, claro): uma M5 de carbono está mais para 8 kg, e as convencionais top de linha, pouco mais de 6. Isso não impediu que os atletas dessem um show, inclusive nas montanhas. As que foram utilizadas na corrida tinham como único up-grade aparente as rodas Zipp e Hed que os próprios ciclistas trouxeram.

- Ao falar em peso - da bicicleta, do ciclista, ou de ambos - é natural falar tbém em subidas, ladeiras, lombas, morros, montanhas... Pois é aqui que o peso (a massa, corrigiria o Olavo) se torna um obstáculo importante: quando pedalamos morro acima, estamos avançando para frente e para cima - indo contra a aceleração da gravidade, portanto.



Já vimos que as XStream pedaladas pela equipe Rans eram provavelmente as bicicletas mais pesadas da corrida (sem contar as tandems e as hand-bikes, obviamente).



Agora seria o momento de perguntar: como foi o desempenho dos reclineiros nas subidas? Reparem que falo dos reclineiros, não das reclinadas - bicicleta não anda sozinha, muito menos morro acima.



Reproduzo aqui dois gráficos que podem ajudar a visualizar e entender esta e outras informações. O primeiro, tirado do site da prova, mostra os PCs (=TS=time station) na linha horizontal; a linha vertical mostra, para cada PC (TS), a percentagem de escalada daquele ponto em relação à altimetria acumuldada total da prova - são as barras cor-de-telha. A linha com pontos que corre por cima é uma tentativa de representação da dificuldade relativa (subjetiva?) de cada trecho. Clique sobre a imagem para visualizar melhor.


O segundo gráfico é obra de João de Souza, um reclineiro e webdesigner brasileiro radicado em Nova York. Neste, a linha horizontal tbém representa os PCs (TSs), e a vertical representa velocidade média (expressa em milhas por hora). As linhas coloridas representam o desempenho de cada uma das 4 equipes mais fortes da categoria quartetos deste ano. O gráfico está incompleto, porque quando a equipe Rans (linha verde) cruzou a linha de chegada, o João parou de atualizar, e naquele momento as outras equipes estavam vários PCs (e algumas centenas de quilômetros) atrás.



Observem que as curvas correm praticamente paralelas. Onde a média de uma equipe despenca, todas despencam: são os trechos de montanha, especialmente os mais íngremes (não necessariamente as montanhas mais altas).


É importante observar que o gráfico do João mostra a velocidade média total de cada equipe a cada ponto da prova - ou seja, ele não diz a velocidade que cada equipe desenvolveu em cada etapa separadamente. Mas, com um pouco de paciência, é possível buscar tbém estas informações - a partir daqui - que ajudam a ter uma imagem mais nítida do desempenho geral e nas montanhas.



Tomo como exemplo o PC 46 (Gormania, West Virginia). Este trecho dos temidos Montes Apalaches foi onde a equipe Rans registrou a pior média entre um PC e outro: 14,83 milhas por hora. A equipe Strong Heart fez 15,89 - pouco mais de 1 milha por hora mais rápido que os reclineiros. A equipe Austria Triathlon Team fez a melhor média dos 4tetos neste PC: 16,58. Mesmo assim, chegou em 3º lugar; Strong Heart em 2º, Rans em 1º.

Outro exemplo: PC 8 (Flagstaff, Arizona - um dos trechos mais difíceis segundo o diagrama oficial). Aqui, Rans fez 16,98 de média - mais alta do que as equipes convencionais: Strong Heart fez 16,45, Surfing USA (que então liderava a prova) fez 16,2.



Bueno, alguém pode estar se perguntando, e pra quê essa apurrinhação toda? É que o tema reclinada & subida é quiçá o capítulo menos compreendido de todo o ciclismo. Nem os próprios reclineiros se entendem. É um assunto complexo, que parece simples, e faz com que, invariavelmente, pessoas digam ou escrevam bobagens, quando se deixam guiar apenas por aquilo que lhes parece ser "intuitivamente lógico".



Não pretendo esgotar o assunto aqui, evidentemente. Ele está acima das minhas forças tbém. Mas, tendo como base os dados expostos acima, parece-me viável elencar algumas conjecturas que me parecem razoáveis. Racionínios mais completos serão muito bem-vindos na seção de comentários. Lá vai:



1) Das duas, uma: ou os atletas da Rans são muito mais fortes que todos os outros da categoria (quartetos) , ou as reclinadas não são - nem de longe - tão ruins de subida como a maioria crê. A única maneira de saber com certeza seria montar um dispositivo de medição de potência em cada bicicleta e comparar os valores. Esse dispositivo (power meter, em inglês) pode ser montado no pedivela ou no cubo, e vem aos poucos substituindo o monitor cardíaco como acessório para treinamento.



2) Existe uma crença, baseada na observação, segundo a qual a reclinada apresenta alguma desvantagem em subida, quando a inclinação passa de um certo valor. Quanto? Não se sabe; alguma coisa até 5 ou talvez 10 %.


A propósito: a inclinação de estradas é freqüentemente expressa em percentagem (e não em graus). Como referência: um percurso perfeitamente plano/horizontal tem inclinação de 0%, enquanto uma
rampa com ângulo de 45 graus tem inclinação de 100% - a cada metro de chão percorrido, sobe-se tbém 1 metro na vertical. Em uma ladeira de 10%, sobe-se 1 metro a cada 10 metros percorridos, e assim por diante. Indicações de inclinação, em países do Hemisfério Norte, fazem parte da sinalização de trânsito. Ao lado, imagem de uma estrada no País de Gales. A placa (bilíngüe) alerta os motoristas para que usem marchas de força. Ciclistas não precisam de advertência, pois sentem a inclinação nas pernas, imediatamente... (editado 12-vii-09)


Os resultados parecem corroborar essa crença: Rans assumiu a liderança justamente em terreno montanhoso (as Rochosas) - porém, a inclinação daquelas estradas é bem menor que a dos Apalaches - onde, de fato, Rans registrou, por breves momentos, média de velocidade abaixo dos outros quartetos.


3) Se for verdade que a reclinada apresenta desvantagem a partir de uma certa inclinação do terreno, então tbém é verdade que, em terreno de inclinação menor do que este valor (que não sabemos ao certo), essa desvantagem não existe. A não ser na cabeça de algumas pessoas. E, como dizem que na subida o fator psicológico "pesa" muito...


4) Em um percurso suficientemente longo, uma pequena desvantagem em um trecho particular não é suficiente para anular as grandes vantagens representadas pelo conforto e pela área frontal (=arrasto aerodinâmico) menor da reclinada. Observe-se que, neste caso particular, não se trata de reclinadas que exploram a vantagem aerodinâmica ao máximo - bem longe disso.


5) Para os reclineiros: da próxima vez que você ultrapassar um ciclista convencional, em um trecho plano, ou passar zunindo por ele em uma descida, não pense que você é o Super-Homem. É possível que o ciclista que você ultrapassou seja até mais forte que você; mas a aerodinâmica trabalha a teu favor.


6) Para os ciclistas convencionais: da próxima vez que você ultrapassar um reclineiro em um subida, não pense que é porque a reclinada não presta. O cara é que é um pangaré. Se você pegar um reclineiro mais forte que você, ele vai te fazer comer poeira, mesmo na subida.



7) É por essas e por outras que o "sorriso reclineiro" está se tornando icônico. Vá procurar alguma foto de ciclista sorrindo no meio da RAAM. Tirando os reclineiros, só a Dani Genovesi consegue...



terça-feira, 30 de junho de 2009

RAAM 2009 (6) - Terminou!



Bueno, hoje terminou mais uma Race Across America (RAAM) . A "corrida mais dura do planeta" teve, mais uma vez, um desenrolar épico e muitos momentos emcionantes para quem curte o ciclismo de longa distância, e/ou esporte de alta resistência, ultra-maratona, e ciclismo reclinado competitivo (existe isso?). Seria mais emocionante se houvesse cobertura televisiva; mas a própria organização da corrida se encarregou de montar uma bela equipe de reportagem que se virou como pôde para acompanhar o maior número possível de competidores, espalhados que estavam ao longo da rota de milhares de quilômetros. As freqüentes matérias e vídeos postados nos blogs da RAAM tornaram os fatos e as emoções da corrida acessíveis a todos através da Rede.

RAAM é na verdade várias corridas diferentes dentro de uma só, com categorias que vão de solo masculino e feminino a equipes mistas de 8 ciclistas, e divisões por idade. Vou comentar aqui os resultados das categorias que tenho acompanhado: equipes de 4 masculino - por ser a categoria onde havia tbém reclinadas, principal propósito deste blog - e todas as outras onde havia brasileiros participando: solo feminino e solo masculino.


Bueno, então vamos ao que interessa. Ladies first - senhoras à frente:


E L A A R R E B E N T O U !




Daniela "Dani" Genovesi confirmou aquilo que vinha se delineando nos últimos dias da corrida, mas que ninguém imaginava, antes da corrida começar: não apenas completou a prova - com o respeitabilíssimo tempo de 11 dias, 17 horas e 8 minutos - como tbém venceu uma forte competidora, Janet Chistiansen, que liderou a prova até o 7º dia. Em sua estréia, Dani mostrou incrível regularidade, foco, e alegria de pedalar.


Leiam um pouco do que estão dizendo dela nas páginas oficiais da corrida:


Mal sabíamos que esta baixinha brasileira estava para nos proporcionar uma das maiores vitórias de virada na história da corrida (...)


Daniela chamo tanta atenção em sua terra, que a principal empresa de televisão, TV Globo, enviou uma equipe do Brasil (...) [nota do blogueiro: alguém viu essa reportagem? como não vejo televisão, nem fiquei sabendo disso]


De todas as comemorações na chegada (...), a de Genovesi foi das mais exuberantes. Abraços, lágrimas, cumprimentos e a bandeira do Brasil tremulando, tudo foi parte das festividades pós-corrida. Membros da equipe, familiares e amigos reunidos expressaram o êxtase do momento lançando sua heroína para o alto várias vezes!


Ao longo de toda esta 28ª edição da corrida, sempre que encontrávamos Genovesi na estrada, ela se mostrava simpática - geralmente acenando, e quase sempre sorrindo [nota do blogueiro: isso parece surpreender muito aos "bárbaros do Norte"]. "Quando você sorri, é mais fácil continuar", ela explicou. Mas nem tudo foram sorrisos e diversão: "todos os dias havia momentos difíceis (...) o mais difícil era pedalar sem dormir".

Será que veremos a vencedora deste ano novamente? "Ah, não sei", disse ela, expressando sofrimento à simples menção da idéia. "Talvez em equipe".


Em seguida, o repórter escreve "eis uma sugestão para membros da equipe: o marido, a filha, e o filho. Que tal, Daniela?"




Equipe R A N S - e s p e t a c u l a r !


Como única equipe reclinada nesta 28ª edição da RAAM, Team Rans não tinha com quem competir - teoricamente. Para surpresa da comunidade reclineira, entretanto, o próprio site oficial da corrida tratou a equipe reclinada, durante toda a cobertura, como mais uma equipe na competição de quartetos masculino. Quem visitar a página inicial do evento, verá a foto da equipe entre os vencedores, enquanto que a equipe convencional mais bem classificada - Team Strong Heart - é mencionada como 2ª colocada. Acho isso um pouco estranho, é surpreendente, e não está de acordo com as regras da corrida! Por outro lado: talvez este ato falho seja um sinal positivo da aceitação e respeito que os atletas reclineiros conquistaram nos EUA, especialmente no ciclismo de longa distância, nos últimos anos.


Um único objetivo da equipe - bater o recorde em reclinada - não foi alcançado. A equipe ALS BAcchetta de 2007 manteve seu recorde, por uma pequena margem. Mas recordes na RAAM não têm maior significado, pois o trajeto muda de um ano para outro; bem como a quilometragem, a altimetria, e, evidentemente, as condições meteorológicas, que, em uma prova tão longa, têm muito impacto no resultado.


Em uma postagem futura, vou entrar em detalhes e números de mais esta épica participação reclineira na Race Across America.

Fiquem com mais algumas citações da reportagem oficial:


A melhor parte da Equipe Rans é o conforto incrível daquelas bicicletas. Reclinadas permitem aos ciclistas pedalar sem queixas a não ser pernas doloridas. Sem dor no pescoço, nada de dores nas mãos, dor no traseiro nem pensar. Uma coisa bem boa para uma corrida de 3000 milhas [4800 km].


Eles completaram a jornada (...) em 6 dias, 3 horas e 40 minutos, com velocidade média de 20,46 milhas por hora [quase 33 km/h].






Cláudio Clarindo


O santista chegou em 7º e teve seu desempenho muito elogiado. Galgou várias posições ao longo da dura e disputada divisão solo masculina. Dos atletas estrangeiros, é dos poucos cuja participação buscava tbém atrair fundos para uma causa beneficiente - que é uma tradição na RAAM. Clarindo está usando a visibilidade do evento para arrecadar doações para a Fundação Galileu, numa iniciativa cuja meta é fornecer tratamento para crianças carentes portadoras de deficiências crânio-faciais (lábio leporino). Essas crianças têm muitas vezes dificuldades de falar e até de se alimentar; sem tratamento, a tendência é terem uma existência dolorosa, isolada, envergonhada, e sem acesso à esocola nem ao mercado de trabalho. Qualquer um pode contribuir!



Conta da Fundação Galileo / DOAÇÃO
CNPJ : 48.259.590/0001-17
BRADESCO AG: 3111-9C/C: 004129-7


Algumas citações:


(...) Clarindo pedalou por 10 dias, 22 horas e 5 minutos, com velocidade média de 11,51 milhas por hora [18,5 km/h - lembrando que o cronômetro não pára nunca, portanto esta média é relativa ao tempo total, não ao chamado "tempo de pedal"].


Claudio pedalou de maneira soberba durante estes 10 dias, mostrando muita determinação. Ele pode ficar orgulhoso do resultado obtido. Parabéns Claudio Clarindo!



Vencendo Desafios Team Brazil


O quarteto brasileiro tbém foi muito bem, completando os mais de 4800 km em 7 dias, 8 horas e 7 minutos. Ficaram em 5º na categoria (quarteto masculino até 50 anos) - ou 4º, se descontarmos a equipe reclinada Rans.




sexta-feira, 26 de junho de 2009

RAAM 2009 (5) - meus heróis;^)


Bueno, alguém que consegue fazer essa cara e esse gesto (foto acima) depois de pedalar mais de 4000 km em 9 dias certamente é um exemplo de energia e determinação! Ainda mais considerando que ela sabe que o pior de tudo está por vir - as íngremes encostas dos Montes Apalaches.


Dani se torna o foco principal das atenções da reportagem oficial, uma vez que a disputa pelo 1º lugar masculino se encerrou (com a vitória do suíço Daniel Wyss e a recusa em completar a prova de Jure Robic).


Vejam um trecho da última postagem no blog RAAM:


Daniela Genovesi - Uau!
(...) nada mais segura esta mulher, ela está pedalando mais forte do que do que jamais a vi pedalar (...)


"sou uma mountain biker, adoro os morros" [disse Daniela]


[segue o repórter] mal posso acreditar o quão animada ela está em continuar na corrida (...)



Enquanto isso, a equipe reclinada RANS, se não tinha com quem competir oficialmente, por ser a única equipe reclinada este ano, agora não tem mais adversário "extra-oficial" tbém, uma vez que a única equipe que teria chance teórica de fazer-lhe sombra - Team Surfing USA - retirou-se da prova.


Mas os rapazes reclinados têm um objetivo que os motiva - além de completar a prova à frente dos outros quartetos: estabelecer um novo recorde para reclinadas em RAAM.


Eles já ultrapassaram a temida barreira dos Apalaches. Reclinada é ruim de subida? Me aguardem...

Um pouco do que o blog diz sobre a equipe:


(...) as velocidades que esses caras estão sustentando são inacreditáveis. É difícil imaginar, mas nós precisamos dirigir por horas às vezes, para conseguir alcançá-los (...)


(...) a Equipe RANS está no caminho de estabelecer um recorde (...)


Abaixo um vídeo da reportagem oficial mostrando como funciona o o revezamento e uma entrevista com o "Crocodilo Dundee" da reclinada, Glenn Druery, que num ato falho certamente provocado pelo cansaço diz que pela primeira vez as reclinadas vão vencer RAAM (o que não é verdade). Ele tbém diz que esta está sendo sua melhor Race Across America até hoje.



quinta-feira, 25 de junho de 2009

RAAM 2009 (4) Brasil surpreende




Tenho muitas novidades para contar sobre o espetacular desempenho da equipe reclinada Rans. Mas isto aqui simplesmente não pode esperar! O amor patriótico fala mais alto hehehe...

O blog oficial da categoria solo fez um intervalo na cobertura da batalha pelo primeiro lugar masculino para falar dos brasileiros - que estão surpreendendo a reportagem! Vejam:


Daniela Genovesi - hora da soneca

De dia tbém se pode tirar um cochilo. Encontramos Daniela à beira da estrada, cerca de 20 milhas [32 km] à frente de Janet, rumando para o PC 39. Ela estava dormindo em uma pequena área de escape em uma estrada rural. Ela estava se recuperando um pouco (...) .

O chefe da equipe me disse que ela se sente hiper bem!, e que nós poderemos vir a testemunhar algo maior do que simplesmente completar a prova... maior do que simplesmente vencer a prova... um recorde, talvez?


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A coisa esquentou!

Uma outra batalha se forma mais atrás, na estrada, entre Claudio Clarindo, Christopher Gottwald e Ben Popp. Os 3 ciclistas já completaram 2156 milhas [3470 km]. Clarindo está 11 min à frente de Gottwald. Ben Popp está 39 min mais atrás. Esta batalha não pode ser subestimada. Todos os três estão pedalando de maneira excepcional. No momento, aposto as fichas em Clarindo. O ciclista brasileiro está bombando.
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Entrevista com Márcio Rabecchi (equipe de Dani Genovesi)



quarta-feira, 24 de junho de 2009

RAAM 2009 (3): Brasil pedala forte




Dos participantes brasileiros, DANI GENOVESI é de longe quem recebe mais atenção da reportagem oficial do evento. Talvez por estar em uma categoria onde apenas 2 competidoras ainda estão na prova, talvez por seu carisma pessoal. O blog da reportagem a tem mencionado com freqüência, ainda que algumas vezes apenas para enaltecer a ciclista que está liderando a categoria (Janet Christianssen). Hoje apareceu uma postagem dedicada inteiramente a ela, vejam alguns trechos:


Dani está para se tornar a primeira sul-americana a superar RAAM - o maior desafio da Terra (...) ela continua animada e bem preparada (...) Dani tem mantido a meta de pedalar 400 km por dia. O termômetro marcava 35° à sombra (...) "Sinto-me melhor a cada dia que passa, curtindo cada momento" (ao passar pelo PC 27) (...)

Dani passou pelo PC 35 apenas 30 minutos depois de Janet - a diferença já foi mais de 2 horas! A brasileira já percorreu mais de 3390 km, em 7 dias, 22 hs e 50 min, com média total de aprox. 17,7 km/h.


CLÁUDIO CLARINDO vem ganhando posições desde o início da prova. Atualmente está em 7º, com mais de 3200 km percorridos em 6 dias e 21 hs, com média de aprox. 19 km/h. Deixei um comentário no blog do evento pedindo mais informações sobre ele, mas não fui atendido até agora. Está difícil encontrar imagens atuais do vivente tbém. Esta é de uma edição anterior de RAAM.



A categoria solo até 50 anos (equivalente a elite) masculina está duríssima, com batalhas pessoais sendo disputadas em várias posições, especialmente na ponta, onde o esloveno JURE ROBIC, três vezes campeão inconteste da corrida, finalmente encontrou no suíço DANI WYSS um adversário à altura. Dos 21 ciclistas que largaram na categoria, 9 já tiveram que abandonar a prova por razões médicas variadas.

VENCENDO DESAFIOS TEAM BRAZIL recebeu alguma atenção da reportagem oficial nos primeiros dias, mas não tem sido mais mencionada nos blogues do evento. A equipe parece estar indo muito bem, mantendo um ritmo firme e defendendo o 6º lugar, sendo seguida de perto pela equipe alemã BERLINER. Segundo a página (nem sempre muito confiável), o quarteto brasileiro já percorreu mais de 2600 km em 3 dias e 3 hs, com média de aprox. 28 km/h.

Todos os brasileiros estão indo muito bem, mas isso não garante que mantenham suas posições, nem mesmo que consigam completar esta prova épica!

Acontece que o maior desafio está por vir: a Cordilheira dos Apalaches, que, diferentemente das Montanhas Rochosas, que nossos heróis já deixaram para trás, possui inclinações extremas, da ordem de 15% ou mais. Não que as Rochosas sejam fáceis, obviamente; a diferença é que lá as subidas são longas, mas relativamente suaves. Nos Apalaches, parece que a inclinação é cruel, e pega todo mundo esgotado depois de dias de pedal extremo e pouco sono.