Sábado, 11 de Julho de 2009

RAAM 2009 (7) - História, curiosidades, e alguns números




Advertência: Esta postagem ficou bem longa. Mesmo com os vídeos e imagens, que ajudam a manter o interesse, creio que só será apreciada por aqueles(as) dados(as) a longas distâncias e longas leituras - reclinados ou não... Aproveitem!




- Bicycle Dreams - o filme:

"Não é um evento esportivo no sentido clássico - é mais parecido com jogar um gladiador dentro de um fosso com um leão"

"As pessoas falam, 'é uma corrida de bicicleta'. Não. Isso aqui não dá para comparar com nada (...) Isso aqui é uma coisa de outro planeta"


Estes depoimentos fazem parte do recém-lançado documentário "Bicycle Dreams - a verdadeira história da Race Across America". Selecionado para muitos festivais de cinema e já premiado em vários deles, o filme do diretor Stephen Auerbach tem tudo para mexer fundo com o povo do pedal. Trailer abaixo. O DVD está à venda na página oficial do filme.







- No fórum BROL ('Bent Rider Online), o
tópico sobre RAAM soma mais de 800 msgens (!)


- No mesmo fórum, o
tópico sobre a desistência de Jure Robic - estrela do ciclismo de ultra-distância e tetra-campeão da prova - passou de 350 msgens. Neste tópico se discute/especula sobre a alegada falta de lisura da arbritragem da prova ao admnistrar penalidades. Visões bastante diferentes e até conflitantes do assunto foram apresentadas, sempre em alto nível - em nenhum momento a discussão descambou para uma flame war. O assunto é bem delicado e potencialmente poderia abalar a reputação do evento. Jure diz que jamais voltará a participar da RAAM. O ciclista esloveno, ídolo em seu país, embora seja atleta amador (!), é o tema de um outro documentário, intitulado The Wheel Of Life (A Roda da Vida). Trailer abaixo.






- Não obstante, a participação espetacular da equipe Rans - ainda que não tenha batido o recorde reclinado - excitou os ânimos na comunidade reclinesca. Muita gente já está torcendo que a participação cresca em 2010, que tenhamos ao menos 2 equipes competindo entre si, e quem sabe tbém algum reclineiro solo. Nomes que vêm à mente do povo são Velokraft e Bacchetta, que já têm tradição na RAAM. Bacchetta, muito especialmente, é uma empresa muito presente em competições de ultra-distância nos EUA. John Schlitter, co-proprietário, é um ciclista de grande sucesso na modalidade, assim como vários outros atletas Bacchetta, inclusive algumas damas. Isso tudo parece estar gerando o sentimento de que a marca deve estar na RAAM em 2010.

Neste tópico do fórum Bacchetta já se começa a discutir seriamente o assunto. Especula-se de tudo por enquanto: uma ou duas equipes de 4; uma equipe de 8; uma equipe feminina ou mista; vários ciclistas solo, inclusive um na categoria 60-70 anos; e por aí vai. A maior dificuldade é arcar com os custos, que são muito altos para uma empresa pequena. Colocar uma equipe na estrada, na RAAM, significa mobilizar no mínimo uma dúzia de pessoas e 3 a 4 veículos de apoio. Estima-se o custo total em 25000 dólares, aproximadamente, por cada equipe.



- Considerando o exposto acima, torna-se especialmente admirável o fato de que muitas equipes conseguem não apenas arcar com os custos, mas ainda arrecadar fundos para diversas causas humanitárias - este é um dos aspectos muito bacanas da RAAM. Em média, as equipes têm arrecadado cerca de um milhão de dólares por ano.



- Este ano acompanhamos vários casos de ciclistas acometidos pela temida "síndrome de Shermer Neck". Acontece quando o ciclista simplesmente não consegue mais sustentar a própria cabeça. Não lembro os nomes de todos os acometidos nesta edição, mas sei que ao menos um teve que abandonar a prova. Normalmente, nesses casos, tenta-se contornar o problema montando uma armação (de PVC, p.ex.) amarrada às costas do ciclista, que faça o trabalho que a musculatura já não consegue. Este ano apareceu uma solução alternativa, criada pela equipe de apoio do ciclista Paul Danhaus. Para a confecção do (bem-sucedido, diga-se de passagem) equipamento foram utilizados os materiais disponíveis no momento - incluindo um absorvente feminino. Parece que este último elemento foi fundamental para proporcionar... absorção (tanto de suor quanto de trepidação). A necessidade é a mãe da invenção.




- As bicicletas Rans XStream utilizadas pela equipe reclineira - especula, bem-humoradamente, um membro húngaro do fórum BROL - são possivelmente as mais pesadas e tbém as mais baratas de todas as bicicletas utilizadas na RAAM. Especulação que provavelmente está bem perto da realidade. O modelo Xstream de fábrica custa cerca de 2600 dólares e pesa 11,8 kg. Pesada mesmo para uma reclinada (de corrida, claro): uma M5 de carbono está mais para 8 kg, e as convencionais top de linha, pouco mais de 6. Isso não impediu que os atletas dessem um show, inclusive nas montanhas. As que foram utilizadas na corrida tinham como único up-grade aparente as rodas Zipp e Hed que os próprios ciclistas trouxeram.

- Ao falar em peso - da bicicleta, do ciclista, ou de ambos - é natural falar tbém em subidas, ladeiras, lombas, morros, montanhas... Pois é aqui que o peso (a massa, corrigiria o Olavo) se torna um obstáculo importante: quando pedalamos morro acima, estamos avançando para frente e para cima - indo contra a aceleração da gravidade, portanto.



Já vimos que as XStream pedaladas pela equipe Rans eram provavelmente as bicicletas mais pesadas da corrida (sem contar as tandems e as hand-bikes, obviamente).



Agora seria o momento de perguntar: como foi o desempenho dos reclineiros nas subidas? Reparem que falo dos reclineiros, não das reclinadas - bicicleta não anda sozinha, muito menos morro acima.



Reproduzo aqui dois gráficos que podem ajudar a visualizar e entender esta e outras informações. O primeiro, tirado do site da prova, mostra os PCs (=TS=time station) na linha horizontal; a linha vertical mostra, para cada PC (TS), a percentagem de escalada daquele ponto em relação à altimetria acumuldada total da prova - são as barras cor-de-telha. A linha com pontos que corre por cima é uma tentativa de representação da dificuldade relativa (subjetiva?) de cada trecho. Clique sobre a imagem para visualizar melhor.


O segundo gráfico é obra de João de Souza, um reclineiro e webdesigner brasileiro radicado em Nova York. Neste, a linha horizontal tbém representa os PCs (TSs), e a vertical representa velocidade média (expressa em milhas por hora). As linhas coloridas representam o desempenho de cada uma das 4 equipes mais fortes da categoria quartetos deste ano. O gráfico está incompleto, porque quando a equipe Rans (linha verde) cruzou a linha de chegada, o João parou de atualizar, e naquele momento as outras equipes estavam vários PCs (e algumas centenas de quilômetros) atrás.



Observem que as curvas correm praticamente paralelas. Onde a média de uma equipe despenca, todas despencam: são os trechos de montanha, especialmente os mais íngremes (não necessariamente as montanhas mais altas).


É importante observar que o gráfico do João mostra a velocidade média total de cada equipe a cada ponto da prova - ou seja, ele não diz a velocidade que cada equipe desenvolveu em cada etapa separadamente. Mas, com um pouco de paciência, é possível buscar tbém estas informações - a partir daqui - que ajudam a ter uma imagem mais nítida do desempenho geral e nas montanhas.



Tomo como exemplo o PC 46 (Gormania, West Virginia). Este trecho dos temidos Montes Apalaches foi onde a equipe Rans registrou a pior média entre um PC e outro: 14,83 milhas por hora. A equipe Strong Heart fez 15,89 - pouco mais de 1 milha por hora mais rápido que os reclineiros. A equipe Austria Triathlon Team fez a melhor média dos 4tetos neste PC: 16,58. Mesmo assim, chegou em 3º lugar; Strong Heart em 2º, Rans em 1º.

Outro exemplo: PC 8 (Flagstaff, Arizona - um dos trechos mais difíceis segundo o diagrama oficial). Aqui, Rans fez 16,98 de média - mais alta do que as equipes convencionais: Strong Heart fez 16,45, Surfing USA (que então liderava a prova) fez 16,2.



Bueno, alguém pode estar se perguntando, e pra quê essa apurrinhação toda? É que o tema reclinada & subida é quiçá o capítulo menos compreendido de todo o ciclismo. Nem os próprios reclineiros se entendem. É um assunto complexo, que parece simples, e faz com que, invariavelmente, pessoas digam ou escrevam bobagens, quando se deixam guiar apenas por aquilo que lhes parece ser "intuitivamente lógico".



Não pretendo esgotar o assunto aqui, evidentemente. Ele está acima das minhas forças tbém. Mas, tendo como base os dados expostos acima, parece-me viável elencar algumas conjecturas que me parecem razoáveis. Racionínios mais completos serão muito bem-vindos na seção de comentários. Lá vai:



1) Das duas, uma: ou os atletas da Rans são muito mais fortes que todos os outros da categoria (quartetos) , ou as reclinadas não são - nem de longe - tão ruins de subida como a maioria crê. A única maneira de saber com certeza seria montar um dispositivo de medição de potência em cada bicicleta e comparar os valores. Esse dispositivo (power meter, em inglês) pode ser montado no pedivela ou no cubo, e vem aos poucos substituindo o monitor cardíaco como acessório para treinamento.



2) Existe uma crença, baseada na observação, segundo a qual a reclinada apresenta alguma desvantagem em subida, quando a inclinação passa de um certo valor. Quanto? Não se sabe; alguma coisa até 5 ou talvez 10 %.


A propósito: a inclinação de estradas é freqüentemente expressa em percentagem (e não em graus). Como referência: um percurso perfeitamente plano/horizontal tem inclinação de 0%, enquanto uma
rampa com ângulo de 45 graus tem inclinação de 100% - a cada metro de chão percorrido, sobe-se tbém 1 metro na vertical. Em uma ladeira de 10%, sobe-se 1 metro a cada 10 metros percorridos, e assim por diante. Indicações de inclinação, em países do Hemisfério Norte, fazem parte da sinalização de trânsito. Ao lado, imagem de uma estrada no País de Gales. A placa (bilíngüe) alerta os motoristas para que usem marchas de força. Ciclistas não precisam de advertência, pois sentem a inclinação nas pernas, imediatamente... (editado 12-vii-09)


Os resultados parecem corroborar essa crença: Rans assumiu a liderança justamente em terreno montanhoso (as Rochosas) - porém, a inclinação daquelas estradas é bem menor que a dos Apalaches - onde, de fato, Rans registrou, por breves momentos, média de velocidade abaixo dos outros quartetos.


3) Se for verdade que a reclinada apresenta desvantagem a partir de uma certa inclinação do terreno, então tbém é verdade que, em terreno de inclinação menor do que este valor (que não sabemos ao certo), essa desvantagem não existe. A não ser na cabeça de algumas pessoas. E, como dizem que na subida o fator psicológico "pesa" muito...


4) Em um percurso suficientemente longo, uma pequena desvantagem em um trecho particular não é suficiente para anular as grandes vantagens representadas pelo conforto e pela área frontal (=arrasto aerodinâmico) menor da reclinada. Observe-se que, neste caso particular, não se trata de reclinadas que exploram a vantagem aerodinâmica ao máximo - bem longe disso.


5) Para os reclineiros: da próxima vez que você ultrapassar um ciclista convencional, em um trecho plano, ou passar zunindo por ele em uma descida, não pense que você é o Super-Homem. É possível que o ciclista que você ultrapassou seja até mais forte que você; mas a aerodinâmica trabalha a teu favor.


6) Para os ciclistas convencionais: da próxima vez que você ultrapassar um reclineiro em um subida, não pense que é porque a reclinada não presta. O cara é que é um pangaré. Se você pegar um reclineiro mais forte que você, ele vai te fazer comer poeira, mesmo na subida.



7) É por essas e por outras que o "sorriso reclineiro" está se tornando icônico. Vá procurar alguma foto de ciclista sorrindo no meio da RAAM. Tirando os reclineiros, só a Dani Genovesi consegue...



Terça-feira, 30 de Junho de 2009

RAAM 2009 (6) - Terminou!



Bueno, hoje terminou mais uma Race Across America (RAAM) . A "corrida mais dura do planeta" teve, mais uma vez, um desenrolar épico e muitos momentos emcionantes para quem curte o ciclismo de longa distância, e/ou esporte de alta resistência, ultra-maratona, e ciclismo reclinado competitivo (existe isso?). Seria mais emocionante se houvesse cobertura televisiva; mas a própria organização da corrida se encarregou de montar uma bela equipe de reportagem que se virou como pôde para acompanhar o maior número possível de competidores, espalhados que estavam ao longo da rota de milhares de quilômetros. As freqüentes matérias e vídeos postados nos blogs da RAAM tornaram os fatos e as emoções da corrida acessíveis a todos através da Rede.

RAAM é na verdade várias corridas diferentes dentro de uma só, com categorias que vão de solo masculino e feminino a equipes mistas de 8 ciclistas, e divisões por idade. Vou comentar aqui os resultados das categorias que tenho acompanhado: equipes de 4 masculino - por ser a categoria onde havia tbém reclinadas, principal propósito deste blog - e todas as outras onde havia brasileiros participando: solo feminino e solo masculino.


Bueno, então vamos ao que interessa. Ladies first - senhoras à frente:


E L A A R R E B E N T O U !




Daniela "Dani" Genovesi confirmou aquilo que vinha se delineando nos últimos dias da corrida, mas que ninguém imaginava, antes da corrida começar: não apenas completou a prova - com o respeitabilíssimo tempo de 11 dias, 17 horas e 8 minutos - como tbém venceu uma forte competidora, Janet Chistiansen, que liderou a prova até o 7º dia. Em sua estréia, Dani mostrou incrível regularidade, foco, e alegria de pedalar.


Leiam um pouco do que estão dizendo dela nas páginas oficiais da corrida:


Mal sabíamos que esta baixinha brasileira estava para nos proporcionar uma das maiores vitórias de virada na história da corrida (...)


Daniela chamo tanta atenção em sua terra, que a principal empresa de televisão, TV Globo, enviou uma equipe do Brasil (...) [nota do blogueiro: alguém viu essa reportagem? como não vejo televisão, nem fiquei sabendo disso]


De todas as comemorações na chegada (...), a de Genovesi foi das mais exuberantes. Abraços, lágrimas, cumprimentos e a bandeira do Brasil tremulando, tudo foi parte das festividades pós-corrida. Membros da equipe, familiares e amigos reunidos expressaram o êxtase do momento lançando sua heroína para o alto várias vezes!


Ao longo de toda esta 28ª edição da corrida, sempre que encontrávamos Genovesi na estrada, ela se mostrava simpática - geralmente acenando, e quase sempre sorrindo [nota do blogueiro: isso parece surpreender muito aos "bárbaros do Norte"]. "Quando você sorri, é mais fácil continuar", ela explicou. Mas nem tudo foram sorrisos e diversão: "todos os dias havia momentos difíceis (...) o mais difícil era pedalar sem dormir".

Será que veremos a vencedora deste ano novamente? "Ah, não sei", disse ela, expressando sofrimento à simples menção da idéia. "Talvez em equipe".


Em seguida, o repórter escreve "eis uma sugestão para membros da equipe: o marido, a filha, e o filho. Que tal, Daniela?"




Equipe R A N S - e s p e t a c u l a r !


Como única equipe reclinada nesta 28ª edição da RAAM, Team Rans não tinha com quem competir - teoricamente. Para surpresa da comunidade reclineira, entretanto, o próprio site oficial da corrida tratou a equipe reclinada, durante toda a cobertura, como mais uma equipe na competição de quartetos masculino. Quem visitar a página inicial do evento, verá a foto da equipe entre os vencedores, enquanto que a equipe convencional mais bem classificada - Team Strong Heart - é mencionada como 2ª colocada. Acho isso um pouco estranho, é surpreendente, e não está de acordo com as regras da corrida! Por outro lado: talvez este ato falho seja um sinal positivo da aceitação e respeito que os atletas reclineiros conquistaram nos EUA, especialmente no ciclismo de longa distância, nos últimos anos.


Um único objetivo da equipe - bater o recorde em reclinada - não foi alcançado. A equipe ALS BAcchetta de 2007 manteve seu recorde, por uma pequena margem. Mas recordes na RAAM não têm maior significado, pois o trajeto muda de um ano para outro; bem como a quilometragem, a altimetria, e, evidentemente, as condições meteorológicas, que, em uma prova tão longa, têm muito impacto no resultado.


Em uma postagem futura, vou entrar em detalhes e números de mais esta épica participação reclineira na Race Across America.

Fiquem com mais algumas citações da reportagem oficial:


A melhor parte da Equipe Rans é o conforto incrível daquelas bicicletas. Reclinadas permitem aos ciclistas pedalar sem queixas a não ser pernas doloridas. Sem dor no pescoço, nada de dores nas mãos, dor no traseiro nem pensar. Uma coisa bem boa para uma corrida de 3000 milhas [4800 km].


Eles completaram a jornada (...) em 6 dias, 3 horas e 40 minutos, com velocidade média de 20,46 milhas por hora [quase 33 km/h].






Cláudio Clarindo


O santista chegou em 7º e teve seu desempenho muito elogiado. Galgou várias posições ao longo da dura e disputada divisão solo masculina. Dos atletas estrangeiros, é dos poucos cuja participação buscava tbém atrair fundos para uma causa beneficiente - que é uma tradição na RAAM. Clarindo está usando a visibilidade do evento para arrecadar doações para a Fundação Galileu, numa iniciativa cuja meta é fornecer tratamento para crianças carentes portadoras de deficiências crânio-faciais (lábio leporino). Essas crianças têm muitas vezes dificuldades de falar e até de se alimentar; sem tratamento, a tendência é terem uma existência dolorosa, isolada, envergonhada, e sem acesso à esocola nem ao mercado de trabalho. Qualquer um pode contribuir!



Conta da Fundação Galileo / DOAÇÃO
CNPJ : 48.259.590/0001-17
BRADESCO AG: 3111-9C/C: 004129-7


Algumas citações:


(...) Clarindo pedalou por 10 dias, 22 horas e 5 minutos, com velocidade média de 11,51 milhas por hora [18,5 km/h - lembrando que o cronômetro não pára nunca, portanto esta média é relativa ao tempo total, não ao chamado "tempo de pedal"].


Claudio pedalou de maneira soberba durante estes 10 dias, mostrando muita determinação. Ele pode ficar orgulhoso do resultado obtido. Parabéns Claudio Clarindo!



Vencendo Desafios Team Brazil


O quarteto brasileiro tbém foi muito bem, completando os mais de 4800 km em 7 dias, 8 horas e 7 minutos. Ficaram em 5º na categoria (quarteto masculino até 50 anos) - ou 4º, se descontarmos a equipe reclinada Rans.




Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

RAAM 2009 (5) - meus heróis;^)


Bueno, alguém que consegue fazer essa cara e esse gesto (foto acima) depois de pedalar mais de 4000 km em 9 dias certamente é um exemplo de energia e determinação! Ainda mais considerando que ela sabe que o pior de tudo está por vir - as íngremes encostas dos Montes Apalaches.


Dani se torna o foco principal das atenções da reportagem oficial, uma vez que a disputa pelo 1º lugar masculino se encerrou (com a vitória do suíço Daniel Wyss e a recusa em completar a prova de Jure Robic).


Vejam um trecho da última postagem no blog RAAM:


Daniela Genovesi - Uau!
(...) nada mais segura esta mulher, ela está pedalando mais forte do que do que jamais a vi pedalar (...)


"sou uma mountain biker, adoro os morros" [disse Daniela]


[segue o repórter] mal posso acreditar o quão animada ela está em continuar na corrida (...)



Enquanto isso, a equipe reclinada RANS, se não tinha com quem competir oficialmente, por ser a única equipe reclinada este ano, agora não tem mais adversário "extra-oficial" tbém, uma vez que a única equipe que teria chance teórica de fazer-lhe sombra - Team Surfing USA - retirou-se da prova.


Mas os rapazes reclinados têm um objetivo que os motiva - além de completar a prova à frente dos outros quartetos: estabelecer um novo recorde para reclinadas em RAAM.


Eles já ultrapassaram a temida barreira dos Apalaches. Reclinada é ruim de subida? Me aguardem...

Um pouco do que o blog diz sobre a equipe:


(...) as velocidades que esses caras estão sustentando são inacreditáveis. É difícil imaginar, mas nós precisamos dirigir por horas às vezes, para conseguir alcançá-los (...)


(...) a Equipe RANS está no caminho de estabelecer um recorde (...)


Abaixo um vídeo da reportagem oficial mostrando como funciona o o revezamento e uma entrevista com o "Crocodilo Dundee" da reclinada, Glenn Druery, que num ato falho certamente provocado pelo cansaço diz que pela primeira vez as reclinadas vão vencer RAAM (o que não é verdade). Ele tbém diz que esta está sendo sua melhor Race Across America até hoje.



Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

RAAM 2009 (4) Brasil surpreende




Tenho muitas novidades para contar sobre o espetacular desempenho da equipe reclinada Rans. Mas isto aqui simplesmente não pode esperar! O amor patriótico fala mais alto hehehe...

O blog oficial da categoria solo fez um intervalo na cobertura da batalha pelo primeiro lugar masculino para falar dos brasileiros - que estão surpreendendo a reportagem! Vejam:


Daniela Genovesi - hora da soneca

De dia tbém se pode tirar um cochilo. Encontramos Daniela à beira da estrada, cerca de 20 milhas [32 km] à frente de Janet, rumando para o PC 39. Ela estava dormindo em uma pequena área de escape em uma estrada rural. Ela estava se recuperando um pouco (...) .

O chefe da equipe me disse que ela se sente hiper bem!, e que nós poderemos vir a testemunhar algo maior do que simplesmente completar a prova... maior do que simplesmente vencer a prova... um recorde, talvez?


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A coisa esquentou!

Uma outra batalha se forma mais atrás, na estrada, entre Claudio Clarindo, Christopher Gottwald e Ben Popp. Os 3 ciclistas já completaram 2156 milhas [3470 km]. Clarindo está 11 min à frente de Gottwald. Ben Popp está 39 min mais atrás. Esta batalha não pode ser subestimada. Todos os três estão pedalando de maneira excepcional. No momento, aposto as fichas em Clarindo. O ciclista brasileiro está bombando.
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Entrevista com Márcio Rabecchi (equipe de Dani Genovesi)



Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

RAAM 2009 (3): Brasil pedala forte




Dos participantes brasileiros, DANI GENOVESI é de longe quem recebe mais atenção da reportagem oficial do evento. Talvez por estar em uma categoria onde apenas 2 competidoras ainda estão na prova, talvez por seu carisma pessoal. O blog da reportagem a tem mencionado com freqüência, ainda que algumas vezes apenas para enaltecer a ciclista que está liderando a categoria (Janet Christianssen). Hoje apareceu uma postagem dedicada inteiramente a ela, vejam alguns trechos:


Dani está para se tornar a primeira sul-americana a superar RAAM - o maior desafio da Terra (...) ela continua animada e bem preparada (...) Dani tem mantido a meta de pedalar 400 km por dia. O termômetro marcava 35° à sombra (...) "Sinto-me melhor a cada dia que passa, curtindo cada momento" (ao passar pelo PC 27) (...)

Dani passou pelo PC 35 apenas 30 minutos depois de Janet - a diferença já foi mais de 2 horas! A brasileira já percorreu mais de 3390 km, em 7 dias, 22 hs e 50 min, com média total de aprox. 17,7 km/h.


CLÁUDIO CLARINDO vem ganhando posições desde o início da prova. Atualmente está em 7º, com mais de 3200 km percorridos em 6 dias e 21 hs, com média de aprox. 19 km/h. Deixei um comentário no blog do evento pedindo mais informações sobre ele, mas não fui atendido até agora. Está difícil encontrar imagens atuais do vivente tbém. Esta é de uma edição anterior de RAAM.



A categoria solo até 50 anos (equivalente a elite) masculina está duríssima, com batalhas pessoais sendo disputadas em várias posições, especialmente na ponta, onde o esloveno JURE ROBIC, três vezes campeão inconteste da corrida, finalmente encontrou no suíço DANI WYSS um adversário à altura. Dos 21 ciclistas que largaram na categoria, 9 já tiveram que abandonar a prova por razões médicas variadas.

VENCENDO DESAFIOS TEAM BRAZIL recebeu alguma atenção da reportagem oficial nos primeiros dias, mas não tem sido mais mencionada nos blogues do evento. A equipe parece estar indo muito bem, mantendo um ritmo firme e defendendo o 6º lugar, sendo seguida de perto pela equipe alemã BERLINER. Segundo a página (nem sempre muito confiável), o quarteto brasileiro já percorreu mais de 2600 km em 3 dias e 3 hs, com média de aprox. 28 km/h.

Todos os brasileiros estão indo muito bem, mas isso não garante que mantenham suas posições, nem mesmo que consigam completar esta prova épica!

Acontece que o maior desafio está por vir: a Cordilheira dos Apalaches, que, diferentemente das Montanhas Rochosas, que nossos heróis já deixaram para trás, possui inclinações extremas, da ordem de 15% ou mais. Não que as Rochosas sejam fáceis, obviamente; a diferença é que lá as subidas são longas, mas relativamente suaves. Nos Apalaches, parece que a inclinação é cruel, e pega todo mundo esgotado depois de dias de pedal extremo e pouco sono.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

RAAM 2009 (2): RAAM da RANS?

foto: reportagem RAAM


Claro que ainda é muito cedo para comemorar.

Mas não para se entusiasmar, e o entusiasmo toma conta da comunidade reclineira internacional desde que a equipe RANS começou a ganhar posições (estava em 4º no início da corrida), estabeleceu um duelo direto com a equipe SURFING USA que liderava a categoria desde o início, finalmente deixou os 'surfistas' para trás, agora com cerca de uma hora de vantagem.


Quer dizer, na 'real' meeesmo, a equipe RANS é a única em sua categoria (reclinada), e, oficialmente, basta completar a prova para ser declarada vencedora. Isso oficialmente. Lá no calor da estrada, tudo leva a crer todos querem chegar na frente de todos, independente do tipo de bicicleta ou mesmo da quantidade de ciclistas por equipe. P.ex., se um quarteto consegue ganhar de um octeto, isso é visto como uma conquista esportiva, uma vez que nos octetos cada ciclista descansa 2 vezes mais do que nos quartetos, e assim por diante.


Neste momento, a equipe passou pelo PC 23, tendo percorrido portanto mais de 2240 km em 2 dias e 17 horas, o que dá uma velocidade média de aprox. 34 km/h (lembrando que o cronômetro não pára nunca!).



foto: Roland "of Red River" -

pai de um membro do fórum BROL (que assina como "Cyclone")


Sábado, 20 de Junho de 2009

Ypê Fênix - mais uma vez



Esta bicicleta já "virou cinza" - e voltou à vida - várias vezes.

A última coisa que a pôs fora de combate foi o peso sempre crescente do meu filho Tuco, que, sentado na cadeirinha presa ao bagageiro, inadvertidamente acabou por provocar uma forte deformação nas hastes de apoio do banco.


a Ypê em uma de suas vidas pregressas

Resolvi aproveitar a oportunidade e trocar o banco original (de compensado) por um bem elegante, de fibra de vidro, feito pela Zöhrer, com o objetivo maior de deixar esta bicicleta mais adequada para usar em dias de chuva - os pára-lamas já tinham sido adpatados e instalados há um bom tempo. Tbém queria que o novo banco tivesse um sistema de ajuste rápido e fácil, para que outras pessoas possam andar nela com conforto - nos GROM, p.ex., quando alguém quer experimentar uma reclinada pela 1ª vez, ou simplesmente ver como é pedalar uma reclinada diferente.


Mas banco de reclinada é (quase) sempre uma novela... Não basta comprar (ou mesmo construir) um bom banco. Há que bolar uma maneira eficiente, segura e ajustável de fixá-lo no quadro. Neste caso, meu mentor foi o Franz, que teve a generosidade de fazer um esboço da peça de fixação, e ainda escanear e enviar. Iniciamos um tópico no recém-criado R E C L I F O R U M a respeito deste melindroso aspecto da construção (ou adaptação) caseira.



Fiz um outro desenho, adaptado às minhas necessidades, dimensionei a peça, e encontrei um torneiro mecânico muito competente e muito alto-astral. A peça ficou boa, mas muito alta (por falha minha). Acontece que este banco não é o mais adequado para reclinadas muito altas como a Ypê; o assento é bem largo e atrapalha a coxa ao apoiar o pé no chão. Mais algumas semanas sem poder usar esta bicicleta, até arrumar tempo para furungar na peça. Ontem ficou semi-pronta...



... inclusive o novo bagageiro, que tbém foi cortado, furado, e ainda receberá um reforço soldado. Os alforjes são os da última geração da "Fênix". A idéia é que este bagageiro, diferentemente do outro, tenha sua estrutura totalmente independente da estrutura (hastes e tubos) de sustentação do banco.


Hoje tive um experiência simples e maravilhosa. Levantei bem cedinho e fui à feira - antes do ensaio da OSPA! - com a Ypê. Abasteci a despensa com alimentos orgânicos, adquiridos das nobres mãos de quem produz. Alimentar-se bem - não só de comida, mas tbém de boas energias, bons hábitos, como fazer exercício, p.ex. - é algo que está ao nosso alcance (não de todos, mas de muitos) todo o tempo. Basta querer, se lembrar, se permitir. É tão bom.


Este teste mostrou que as modificações foram bem-sucedidas; aparentemente, pelo menos. Talvez seja necessário diminuir um pouco mais a altura da peça, e/ou fazer um recorte personalizado no assento; mas assim já está 'pedalável'. Aproveitei e fui trabalhar de Ypê tbém. Espero ter mais notícias e imagens em breve.



Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

RAAM começou!



Para os admiradores do ciclismo de longa/ultra distância, e, muito especialmente, para os aficcionados do ciclismo reclinado, chegou a época do ano em que o coração bate mais forte.

Race Across America (RAAM) é um dos maiores eventos de ciclismo de estrada competitivo: uma travessia de cerca de 5000 km da costa oeste à costa leste dos EUA.


Assim reza a página oficial do evento:

RAAM é uma Corrida da Verdade. Diferente de outras corridas, como o Tour de France, RAAM não é uma competição por etapas. A corrida é uma única etapa, viva até o final. Em RAAM, o cronômetro dispara na Costa Oeste, e não pára até que o último ciclista cruze a linha de chegada, na Costa Leste. RAAM é 30% mais longa do que a Volta da França, e os ciclistas da categoria solo terminam na metade do tempo, sem dias de descanso. O formato da corrida é, em essência, o de um time trial, comumente chamado corrida contra o relógio, ou corrida da verdade. Ao contrário da Volta da França, não é permitido "andar na roda" ou "abrigar-se do vento". É um desafio totalmente individual.

Ontem largaram as competidoras da categoria solo, e um competidor da categoria acima de 60 anos. O Brasil já está pedalando, nas pernas de Daniela Genovesi.

Hoje largam os homens da categoria solo.

No sábado largam as equipes - duplas, quartetos e octetos de várias configurações - dentre eles nossos 'heróis' para 2009: a
Equipe RANS, que leva o nome do grande fabricante norte-americano de reclinadas (e aviões!), e conta com alguns veteranos de outras RAAM, entre eles o australiano casca-grossa Glenn Druery, grande personagem (apesar de não ter vencido) da RAAM 2007, que teve cobertura privilegiada neste vosso humilde blog. O próprio Glenn deixou um comentário muito simpático aqui, na época.

Uma das coisas interessantes para os reclineiros é o fato que a equipe RANS estará utilizando o novo modelo X-Stream - uma mid racer com entre-eixos longo e rodas iguais (e 'grandes': 650c). O termo mid racer refere-se à altura do banco: seria um meio-termo entre high racer e low racer. Entre-eixos longo, ou LWB (sigla inglesa), é típico das reclinadas norte-americanas de passeio e cicloturismo, como a clássica Easy Racers; a novidade seria portanto a mistura destas características, com a ambição de assim gerar um modelo competitivo em corridas de verdade.

foto: Larry Varney

Achou esquisito? Acha que ninguém tinha feito esta mistura antes? Então veja a Zöhrer Capoeira: tbém apresenta entre-eixos longo, e tbém é uma mid racer, na minha humilde opinião - embora a Zöhrer a tenha anunciado como low racer, na época. Só não tem rodas iguais; mas o Mário Monster aqui de PoA botou uma roda 24" na dianteira com sucesso - isso seriam rodas 'quase' iguais, e aerodinâmica (tamanho da área frontal) quase idêntica à das high racers e low racers. A da foto é o modelo original, com roda 20" na frente, e o Cezar Barbosa pedalando.



A equipe tbém utilizará a Rans F5, a versão deles da high racer monotubo (muito associada à firma Bacchetta, que não inventou, mas foi a primeira a conseguir grande sucesso com este desenho). Durante um bom tempo, a RANS tentou propagar a suposta superioridade do quadro treliçado (que contém triângulos) sobre o quadro monotubo. Aparentemente, o pouco sucesso de vendas do modelo F5 treliçado de então levou o líder da empresa Randy Schlitter a engolir suas próprias palavras, e render-se aos desejos do mercado norte-americano, lançando uma high-racer com características quase idênticas aos modelos Bacchetta e Volae.





Mas é com a X-Stream que eles conseguiram balançar o imaginário dos reclineiros. A julgar pelas discussões que rolaram na BROL, o modelo se tornou um sonho de consumo antes mesmo de ser lançado. Há quem tenha vendido modelos de corrida consagrados para adquirir uma das primeiras X-Stream disponibilizadas. A idéia é realmente muito atraente: o entre-eixos longo garante boa absorção de vibração (= conforto) e estabilidade em altas velocidades (= segurança); as rodas iguais são preferidas por muitos, que não gostam ter que carregar várias câmeras diferentes; o quadro treliçado de maneira original (para não dizer esquisita) garante grande rigidez, o que se traduz, segundo os primeiros que testaram a bicicleta, em excelente desempenho em subida. Uma das X-Stream da equipe é um protótipo em titânio; as outras são o modelo de série, em alumínio.


Além de torcer pela equipe RANS, que larga a ambiciosa meta de estabelecer um novo recorde para reclinadas, temos vários ciclistas brasileiros para apoiar este ano:


- Vencendo Desafios Team Brazil, quarteto formado pelos ciclistas Marco Aurélio Soares, Ricardo Samir Arap, Eduardo Gasperini e Márcio Milan


- Daniela Genovesi, mencionada acima, é nossa solista feminina; esta mãe de família é professora de educação física e uma super-atleta [ex-campeã mundial de jiu-jitsu e body board (!), entre outras coisas]. A página pessoal dela é muito informativa e completa, já tem fotos do 1º dia! Nesta aqui, ela aparece sendo entrevistada pela gigantesca repórter oficial do evento, 10 minutos antes da largada.




- Cláudio Clarindo, solista masculino, conhecido ciclista de ultra-distância, campeão das 24 horas de Fortaleza, mantém este blog pessoal atualizado com as notícias da corrida. Clarindo corre por esporte e tbém por uma causa muito nobre - o que é bastante comum na RAAM. A iniciativa se chama "Ajude a melhorar o sorriso das crianças brasileiras". Reproduzo aqui suas palavras, que merecem o apoio de todos!

Neste ano estarei abraçando uma grande causa na RACE ACROSS AMERICA 2009. Estarei arrecadando doações para a Fundação Galileu, a qual fornece todo o tratamento necessário as crianças portadoras de deficiências crânio-faciais, mais conhecida no Brasil como Lábio Leporino. Se vc quiser fazer sua doação, não deixe para depois, entre em contato e ajude uma criança voltar a sorrir.


Para doações no Brasil entre em contato pelo e-mail: clarindo@clarindo.com



Conta da Fundação Galileo / DOAÇÃO

CNPJ : 48.259.590/0001-17

BRADESCO AG: 3111-9C/C: 004129-7





Domingo, 31 de Maio de 2009

Quatrocentos (sofridos) Quilômetros


Relato do Brevet Audax Randonê de 400 km, organizado pelo Santa Ciclismo,
em 23/24 de maio, largando de Santa Cruz do Sul e passando pela área dos municípios de Pantano Grande, Rio Pardo, Encruzilhada do Sul e Canguçu - incluindo a chamada "Coxilha do Fogo".





Onde foi que eu errei?, me pergunto, tentando entender porque este brevet foi tão difícil.

Não que todos os 400 (409, na verdade) km tenham sido sofridos, todo o tempo... Na verdade, o que abalou o moral, a ponto de que eu considerasse seriamente a possibilidade de abandonar a prova, foi o último quarto - cerca de 50 km - do trecho de ida.

Na verdade, o itinerário é tão bacana, que dá vontade de voltar lá agora mesmo: estrada perfeita (e sem pedágio!), pouquíssimo tráfego, belas paisagens, edificações rurais antigas e bucólicas, vaquinhas pastando, animais silvestres cruzando a estrada, pontes, rios e riachos... Entre Pantano Grande e o Posto Fita Azul, próximo a Canguçu, passando por Encruzilhada do Sul, é mais ou menos assim, quase todo o tempo.

Só que essa paisagem não vem 'de graça'... Trechos planos praticamente não há; é um subir-e-descer de coxilhas que parece não ter fim. Mas tem - e é aí que a coisa fica pior!: a partir de um certo ponto, as subidas passa a ser seguidas por curtíssimos trechos planos ou ínfimas descidas, seguidas imediatamente por outras subidas. Não há como descansar entre uma subida e outra, a não ser parando. Aqui identifico um dos meus erros; não parei em nenhum PA (ponto de apoio) na ida, só no PC1 (obrigatório). Quer dizer que quando chegaram os 50 km mais difíceis da prova, eu estava com 150 km nas pernas e havia descansado pouco; sentia-me bem, e em terreno 'normal', não haveria maior problema; mas o que vinha pela frente era novidade: mesmo eu, que gosto de subidas, nunca tinha passado por algo semelhante. A ausência de descidas ou de trechos planos um pouco mais longos, para dar um 'refresco', vai minando o ânimo de quem não esteja muito bem preparado para aquilo.




A cerca de 1 km do ponto de volta (PC2 no Posto Fita Azul), simplesmente tive que parar. Nem a perspectiva de estar tão próximo do PC (e dos confortos que lá me esperavam) foi capaz de me fazer pedalar aquela pequena distância, tal era o esgotamento. Permaneci sentado na bicicleta, rosto enterrado nos braços apoiados no guidão, olhos fechados... mergulhado num turbilhão de sensações corporais e na satisfação de estar ali, descansando... acho que pensei, "que bom isso, ainda bem que me permiti parar..." Agora, penso, que coisa mais boba! Por quê, às vezes, a gente não consegue se permitir uma coisa tão óbvia e necessária como descansar?


De qualquer maneira, aquele foi um dos momentos mais bonitos do brevet; mas tbém foi efêmero. Logo retomei a marcha, e aquele quilometrozinho que faltava até o PC2 foi suficiente para me devolver a impressão de esgotamento e exaustão que os minutinhos de introspecção tinham disfarçado tão bem.


Depois de muita comida, muito suco, muita maçã, e cerca de 2 horas de descanso, dava para considerar - ainda que com pouca confiança, e nenhum entusiasmo - a possibilidade de encarar os outros 200 e poucos km que me separavam de obter o brevet. A alternativa de abandonar a prova ainda parecia plausível, e até atraente. Curiosamente, um dos fatores que me estimulou a tentar continuar foi a enfadonha perspectiva de ficar "socando" dentro de um automóvel por 200 km, até Santa Cruz do Sul. Bom, pensei, estou longe de casa, minha bagagem está em Santa Cruz, minha mulher não vem me buscar desta vez, então não há nada a perder. Melhor dizendo: não há nada a ganhar com a desistência. Se minha condição piorar, paro no próximo PC, espero resgate, e pronto. Afinal de contas, isto aqui é um desafio, não um passeio no parque.



A parti daí 2 fatores favoráveis começaram a equilibrar a situação. Primeiro, é que todas aquelas subidas cruéis agora se 'transformavam' em descidas. A recíproca tbém era verdadeira, é claro; outras tantas descidas, inclusive uma alucinante (onde na vinda chegara a 76 km/h, sem pedalar) agora teriam que ser escaladas. Mas o trecho mais difícil agora ficava quase fácil. O que viria depois eram as tais coxilhas, o sobe-e-desce onde existe razoável proporção entre esforço e descanso.

O outro fator, este inesperado, foi a boa companhia. Juntei-me à dupla formada pelo Lazary (que é uma querida figurinha carimbada, randoneiro que não cozinha nem na segunda fervura) e pelo Guilherme, que assim como eu pedalava os 400 pela primeira vez. Deixei-me conduzir pelo ritmo tranqüilo mas sempre firme do Lazary; deixei-me igualmente contagiar pelo alto-astral da dupla, e assim pedalamos muitos e muitos quilômetros, tecendo conversas sobre os mais variados e interessantes assuntos, enquanto o dia ia envelhecendo e a noite se avizinhava.


O equilíbrio estava restabelecido; a alegria voltara; o esforço e mesmo um pouco de sofrimento estavam presentes na empreitada - mas já não tinham espaço para torná-la uma tortura.


Um PC de campanha, montado sobre a terra e sob a luz das estrelas, com cadeiras de praia, café solúvel, rosquinhas, chimarrão e mais maçãs (que delícia), era o que nos esperava à altura de 265 km. Um dos PCs mais agradáveis que já vi - só faltava um fogo de chão. Aqui aproveito para fazer um agradecimento muito efusivo a todos os voluntários que tornaram este evento possível - com destaque para o Miguel Lawisch e esposa, que, além de incansáveis, nunca perdem o sorriso e a vontade de ajudar.

Juntaram-se a nós Mogens Nielsen, o viking missioneiro (dinamarquês radicado em Ijuí) e logo após o Ricardão (sabê-lo aqui, pedalando, deixa os homens casados mais tranqüilos). Formamos um segundo "Pelotão Noturno" (ver relato 300k), que poderíamos chamar "Pelotão dos Lazaryentos", e cujo lema seria: "Lazary é meu pastor, e nada me faltará". Desculpem-me o trocadilho iconoclasta; como sabem, perco o amigo mas não perco a piada...

O P.L. manteve-se unido até o final, com poucos momentos de afastamento e reagrupamento. Mogens protagonizou uma cena muito interessante, ainda que assustadora: pegou no sono, e parece que estava sonhando que era o Super-Homem. Voou por cima do guidão após desviar-se do acostamento e encontrar algum obstáculo. Não conseguindo manter a altitude, estatelou-se no asfalto. Larguei a bicicleta no chão o mais rápido que pude e corri, encontrando-o já sentado e bem acordado, sem nenhuma escoriação(!), mudo de tão brabo. Todos ficamos aliviados - aquilo podia ter terminado bem pior.


Bem mais adiante, depois do último PC, pude ter uma amostra desse problema - a privação de sono, que até hoje me afastara de tentar os brevets longos. Comecei a "ver" coisas - geralmente duplicações de objetos luminosos (refletivos) como placas da estrada. Sensação curiosa: sentia-me forte e perfeitamente capaz de continuar pedalando; mas os olhos não queriam mais ficar abertos! Tentei encontrar uma situação onde pudesse parar por alguns minutos sem que ninguém percebesse, mas não consegui; o pastor do bando me pegou na tampinha, e não quis nem ouvir falar de me deixar em paz; ficou ali esperando enquanto eu dava aos preciosos órgãos da visão um curto repouso.


O tempo que restava era mais do que suficiente para completar dentro do prazo. Aquele desânimo que quase me tirara da prova - cerca de 12 horas antes - transformou-se em quase certeza de que o desafio seria superado. Entretanto, várias dezenas de quilômetros ainda precisavam ser percorridas, e isso leva bastante tempo! Daí pra frente o brevet se tornou um teste de paciência e perseverança. Chegamos às 05:15 e, no entusiasmo, pelo jeito fizemos barulho, porque o Faccin, diretor da prova, acabou emergindo de dentro do carro onde dormia, e veio nos entreter com uns tantos causos audaxiosos.


Pelotão Lazaryento comemorando a conquista. Da esq. para dir: Ricardão, Mogens, eu, Guilherme; agachado: Lazary, o pastor do bando

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Algumas observações adicionais:


Chamou a atenção a excelente participação feminina neste brevet. As cinco damas presentes demonstraram - além do charme que pode ser observado abaixo - muita força e perseverança. Não ouvi nenhuma queixa da parte delas, em nenhum momento. Tiro o chapéu, sem nenhum constrangimento por ter chegado bem depois de 2 delas!



Este brevet atraiu gente de longe. A delegação de Brasília contou com 4 ciclistas, que viajaram 2000 km para poder pedalar estes 400 conosco. Esse pessoal é bom no pedal e na pena tbém (confira 'Ciclismo de Longa Distância' na lista de linques ao lado). Eles mesmos se definem como "ciclopatas"; quem sou eu para discordar! Gostaria de retribuir a visita algum dia!



O Andarilho foi outro personagem que chamou a atenção neste brevet. Passei por ele à noite, quase protagonizando o que teria sido uma das colisões mais bizarras da história do Audax...


Equipamento & agradecimento: pude pedalar com segurança à noite graças aos "Klauses". O Volkmann (Bambu-Klaus) emprestou o espetacular farol Di Notte, que impressionou a todos pelo desempenho e automia (canto superior direito da foto abaixo). Observem que design simples, leve e limpo.


O Rurack (Alemão Klaus) emprestou a lanterna de cabeça Petzl, que é igualmente excelente e foi importante para vizualizar o odômetro, placas na estrada, e nas paradas noturnas. Fico eternamente grato a ambos!



Reparem, na foto da premiação abaixo, que meu colete tem bolsos (e mais refletivos!) na frente. Esta modificação foi feita pelo Noé Corrêa (Da Arca capas e estojos) e a meu ver é um importante acessório para reclineiros, pois facilita muito o acesso a alguns itens essenciais durante o brevet.


Mais relatos podem ser encontrados aqui.

O álbum coletivo com 370 fotos está aqui.


Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Trezentos Quilômetros


Relato do Brevet Audax Randonê de 300 km,
organizado pela Sociedade Audax de Ciclismo,
em 25/26 de abril, largando de Eldorado do Sul
e passando por Pantano Grande, Santa Cruz do Sul,
Charqueadas e vários outros municípios.



Klaus galgando as coxilhas com sua bambuclinada (foto da Romi)



Ai. Ui. Não consigo sentar. Escrevo estas linhas de pé, usando um note-book que está apoiado em uma caixa que fica em cima do piano.


A queda ocorreu aos 15 km de prova e rendeu uma área escoriada do tamanho aproximado de um pires, na porção superior/posterior da coxa esquerda. O pior de tudo é que vai ter uma monte de gente burra (desculpem-me os outros) que terá certeza absoluta que a queda teve relação causal com a bicicleta reclinada. Qualquer ciclista que raspasse de leve no 'degrauzinho' do asfalto do acostamento - acreditando já estar trafegando neste, quando na verdade estava na terra, que, estranhamente, era tão lisa quanto a própria estrada, naquele ponto - sofreria a mesma conseqüência, se estivesse com pneus finos e lisos. E cairia de altura maior. No escuro, quando entendi o que acontecera, já estava praguejando no chão.


Quando Mr. Murphy ataca, não há o que fazer. Ao contrário do Mr. Tuffy, Murphy é quase infalível. Perguntem ao Faccin.


Este dolorido infortúnio coroou uma pequena série de 'babadas' de minha parte.


Embora tenha chegado bem cedo, não cumpri meu plano de fazer uma revisão completa da bici. O interesse a respeito da bicicleta reclinada é enorme; muitos audaxiosos vieram fazer perguntas, alguns meramente por curiosidade, outros, já muito informados, estão até mesmo envolvidos em projetos de construção caseira. Fiquei conversando e atendendo a todos e não fiz o que deveria fazer. Esqueci a lanterna de cabeça - essencial para ler o mapa e fazer reparos à noite. Cheguei ao cúmulo de só lembrar de calibrar os pneus quando já soava a largada. Larguei bem atrás de todo mundo, tendo que perguntar o caminho para transeuntes e policiais, antes mesmo de chegar na estrada.


Em seguida, a primeira parada. Algo não ia bem no câmbio traseiro. Tive uma intuição e levei a mão ao pescoço, buscando a mangueira da bolsa de hidratação. Não estava lá. Parei imediatamente. A ponta da mangueira se havia enroscado no eixo, junto ao cassete. A válvula de foi. Tive que dar um nó para não perder toda a água, e ao reiniciar a pedalar matutava como ia fazer para me hidratar durante as próximas 15 horas. Murphy, sempre Murphy.


Depois vieram paradas: para ajustar os faróis (mais amadorismo); para cortar a válvula inutilizada (passei a beber direto no tubo, tomando sempre cuidado para que a ponta deste nunca ficasse mais baixa do que o odre); e, finalmente, a queda (infortunística).


O odômetro havia parado de funcionar. Pronto, agora mesmo que é certo que vou me perder, pensei. Especialmente naquele trecho esquisitíssimo (e desnecessário) dentro de Santa Cruz. Já havia alcançado e passado um monte de gente e estava sozinho na imensidão do pampa. Tinha que alcançar alguém que soubesse o caminho, então abandonei o plano A (ir 'na manha') e passei ao plano B (esgualepar-se enquanto dá).



Não fossem esses fatores de stress, todos relacionados à minha imperícia, aquele seria um momento idílico. Céu estrelado, temperatura amena; só os faróis dos veículos em sentido contrário rompiam essa beleza; e iam rareando à medida que avançávamos noite adentro. Quando coincidia de avistar o clarão dos faróis ao atingir o topo de uma subida, ou seja, bem antes de avistar o próprio veículo, tinha-se algo como um vislumbre de "Contatos Imediatos". Aliás, se não me engano, os ETs costumam aparecer justamente em noites como essa; geralmente no meio de um imenso milharal.


Não tive o privilégio de uma abdução, mas sim o contato imediato que procurava, e com o qual já nem contava. O grupinho à minha frente, cujas luzinhas brilhavam ao longe de quando em quando, deu uma paradinha para me esperar, imaginando que eu fosse outra pessoa. Sendo eu mesmo e não quem eles esperavam, cansaram de esperar e se resignaram com minha companhia. Tocamos em frente até o PC1 e por muitas horas e quilômetros até o final do brevet, agrupados parcialmente ou não. Batizei-nos de "Pelotão Noturno", e participar dele foi, depois de conseguir completar o brevet, minha maior alegria e uma grande honra: pois estavam aí dois veteranos dos Grandes Brevets (1200 km): Faccin e Trevisan, mais o Rubens Gandolfi (outra figurinha carimbada), o Cláudio Silveira (nós nos reconhecemos pelas sapatilhas), e o Isaac (de Caxias), cuja esposa Raquel acabou salvando minha participação ao borrifar-me as carnes com um excelente antiséptico/anestésico. Dentro do PC, comme il fault (como manda o regulamento).


Graças a esse grupo, ao qual por momentos juntaram-se mais alguns cujos nomes não sei, e outros que não reconheci na hora - como o Anderson da Rodociclo - o noite foi leve, fluida e divertida. O Faccin não parou de falar um minuto até amanhecer. Depois acabou a pilha dele. Com a boca fechada, certamente seria o Rei da Montanha; pois conseguia pedalar ladeira acima, aos berros, na mesma velocidade que nós outros, que estávamos quietos e esgualepados. Coisa de gringo (tradução: "gringo" no RS significa descendente de italianos).



O Pelotão Noturno, já com sol alto: Rubens, eu, Faccin, Cláudio...

...mais o Isaac e o Trevisan, que resolveram se puxar pra valer no final (fotos Roberto Furtado)


Em Santa Cruz tivemos uma agradável surpresa: encontrar o Raul Sanvicente, o qual tivera a luminosa idéia de fazer um meio-brevet extra-oficial. Pernoitou no hotel Antonio's - o próprio local do PC2 - 'atocaiando' o pessoal para pedalar a 2ª metade do brevet. Aliás, o PC este que terá sido talvez o mais difícil da história da navegação em Audax sul-riograndense. Se não estivesse em companhia de um nativo, nunca teria chegado lá. Especialmente considerando a cerração (neblina, para os setentrionais), que às vezes chegava a ser uma quase-garoa, e que teimou em flutuar à nossa volta até cerca de nove horas (!) da manhã. Os de olhos bons ficaram míopes, e os míopes estávamos quase cegos.

Adoro cerração, acho a coisa mais linda, mas confesso que não via a hora daquela névoa interminável desaparecer para que pudéssemos enxergar o caminho com segurança. Fomos afortunados e não tivemos maiores incidentes, mais encontramos um automóvel parcialmente emborcado no acostamento, sem condições de sair de lá com as próprias forças. De dentro saíram dois rapazes e uma moça, confessadamente alcoolizados (nós oferecemos ajuda), perplexos com o que lhes ocorrera. Que perigo. É por isso que evito pedalar nas noites/madrugadas de sexta e sábado. Tem MUITO pinguço e gente mucho doida ao volante.


Cerração que baixa, sol que racha. Cumpriu-se o velho adágio serrano, e com o sol se foi a magia da noite e o melhor pedaço dass nossas energias. Começou a bater aquela leseira. O resto do brevet quase não teve mais piadas... Por momentos, confesso que bateu um certo desânimo. Não por fadiga, é que ficou meio chato mesmo. Depois passou. Coisa de principiante.




Haveria muito o que contar ainda, e, especialmente, muitas pessoas bacanas para mencionar. Mas acho que chega; este relato tá mais comprido que esperança de pobre...



Minutos depois de terminar o brevet, já era penoso caminhar, pois aquela extensão de pele machucada ardia e se retorcia ao menor movimento. Sentar, muito difícil. Dirigir carro, um suplício. Três dias depois a situação não mudou muito, embora a ferida esteja cicatrizando muito bem. Como foi possível pedalar 285 km daquele jeito?

E o pior: mesmo neste estado lamentável, estou tri afim de voltar para a estrada. Não consigo nem caminhar direito, e me pego traçando estratégias para o brevet de 400km...

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Agradecimentos muito especiais vão

- ao Raul, que me emprestou um pedaço precioso da sua M5: o amortecedor (o meu está vazando ar), e mais um farol extra; sem isso eu não teria nem chance de pedalar este brevet;

- ao Klaus Volkmann, que se dispôs até mesmo a abandonar a prova caso eu precisasse de cuidados;

- à Raquel, esposa do Isaac Chedid, sem cuja ajuda provavelmente eu teria que desistir mais cedo ou mais tarde;

- à Ninki e, muito especialmente, a todos os voluntários - que paciência!



Tocando em frente! (foto Roberto Furtado)

Sábado, 18 de Abril de 2009

M U S I Q U A N D O


Pronto. Aqueles dentre vós que porventura estivessem a sentir falta das dicas culturais, avisos sobre concertos, repercussões, e insights de bastidores (como alguém comentou aqui uma vez), agora já têm onde encontrar isso novamente.

Está no ar o blog
M U S I Q U A N D O, no qual passa a ser postado todo o conteúdo de cunho musical e afim, antes compartilhado aqui no "Pés".


[Quem estiver realmente muito curioso em saber os porquês disso, é só rolar esta página para baixo até chegar na postagem do dia 21 de janeiro]


Conforme anunciei então, o Pés fica (em princípio) dedicado exclusivamente ao mundo da bicicleta e sua interação com o esporte, o transporte e o meio-ambiente.

M U S I Q U A N D O é o espaço onde irei postar avisos de concertos, repercussões, e reflexões.

O tema e a razão de ser do blog é aquilo que chamo de música viva ou verdadeira.


Música viva ou verdadeira é o que acontece quando (e somente quando) alguém faz soar e alguém escuta. O ato de fazer música é irrepetível e tem por essa e outras razões um valor sagrado.



Em oposição à experiência musical viva está a experiência musical morta, que chamo bem-humoradamente de "música em conserva": a escuta da reprodução mecânica de música, ou seja, de gravações (LP, CD, mp3, etc).
Outra analogia possível e ainda mais bem-humorada é a seguinte: fazer & ouvir música (como uma coisa só) é um ato de amor; escutar música gravada é uma forma muito refinada de onanismo.



Embora tenha um componente evidente de marketing pessoal, esse blog não tem o objetivo único e exclusivo de promover e divulgar projetos nos quais estou diretamente envolvido. A depender da aceitação e participação da comunidade musical,
M U S I Q U A N D O pode (ou não) se tornar um espaço de ressonância bem mais amplo.



O foco principal do blog, em termos específicos, é a música de câmara; e, em termos amplos, toda música que aspira a ser arte antes de ser produto e que esteja acontecendo aqui na província.